Em 2014 a Automóvel Clube de Portugal (ACP) realizou um estudo que revelou que 46% dos condutores consideravam mais seguro transportar as crianças sentadas com as cadeiras voltadas para a frente, no sentido da marcha do automóvel. Contudo trata-se de um erro, pois os estudos internacionais que procuram perceber qual a posição mais segura para o transporte das crianças revelam que colocá-las no sentido contrário reduz cinco vezes a probabilidade de ferimentos ou mesmo morte em caso acidente.
Concluíram, então, que quando a criança está no sentido da marcha, em situação de desaceleração brusca, a região cervical (o pescoço) está sujeito a forças extremas, o que pode provocar lesões graves. Isto é particularmente mais perigoso nas crianças mais novas, pois as estruturas que sustentam o pescoço estão ainda pouco desenvolvidas e a cabeças é proporcionalmente ao resto do corpo, muito pesada. Assim quando a criança vai no sentido contrário à marcha, todas as zonas críticas ficam melhor protegidas, uma vez que as forças geradas no impacto distribuem-se de forma mais homogénea nas costas, cabeça e pescoço.
Deste modo, a APSI (Associação para a promoção da Segurança Infantil) e a Direção Geral da Saúde aconselham o transporte de crianças no automóvel em cadeiras voltadas para trás até ao mais tarde possível, até aos 3 ou 4 anos. As crianças têm o pescoço muito frágil e a cabeça grande e pesada. Só assim, numa colisão frontal (as mais frequentes e, regra geral, mais graves), as suas costas, cabeça e pescoço estarão mais protegidos.
Existem no mercado cadeiras homologadas até aos 18 kg ou 25 kg (Regulamento 44) e até aos 105 cm (Regulamento 129, ou i-Size), que permitem transportar as crianças voltadas para trás até essa idade. Este tipo de cadeiras confere uma proteção que ronda os 90% o que significa que, em caso de acidente, podem salvar a vida de 9 em cada 10 crianças.
Procure as cadeirinhas existentes no mercado homologadas com os diferentes regulamentos (R44; R129 i-Size), que permitam transportar a criança em segurança no automóvel, em sentido contrário da marcha o maior tempo possível.

Enfermeiras Elsa Silva
e Sandra Costa