A produção excessiva de resíduos é uma característica natural da sociedade de consumo actual, na qual a prioridade não é acumular bens, mas usá-los e descarta-los e procurar incessantemente novos produtos e bens.

 A crise do lixo na cidade de Nápoles, em Itália, é reflexo desse excesso de produção que preocupa os responsáveis e os cidadãos e vem reabrir o debate sobre esta questão.

Em poucos dias que não houve recolha foram acumulados em Nápoles 140 000 toneladas de resíduos!

Os impactes foram bem visíveis, originaram maus cheiros, problemas de salubridade, descontentamento geral, impossibilidade de circulação em algumas ruas, encerramento de algumas escolas e serviços e consequências graves a nível económico, político e social e inclusive a perda de muitos turistas, que cancelaram viagens à cidade dado o espectáculo desolador que os esperava.

É de facto esta uma ameaça para todas as cidades e países desenvolvidos e muitas das quais ou já viveram crises semelhantes ou temem vive-las num futuro próximo.

É o caso da Inglaterra que verá os seus aterros esgotados em 2016, a Irlanda que registou um aumento de 65% na produção de lixo em 10 anos e muitos outros que começam a tomar consciência desta realidade e a adoptar medidas urgentes para travar a produção de resíduos.

A Comissão Europeia ciente deste problema propõe-se a obrigar os países membros a reduzir a produção de lixos e aplicar sanções.

Em Portugal o cenário não é diferente, em 20 anos a produção de resíduos sólidos aumentou 125%.

Actualmente, cada português produz diariamente 1,24 kg de lixo, o que significa cerca de 4,5 milhões de toneladas por ano!

E será que não é possível reduzir estes valores?

Claro que sim!

Tanto é possível, como urgente e inevitável.

A verdade é que não há como não produzir lixo, mas é também verdade que é possível reduzir e em muito a sua produção, reduzindo o desperdício, reutilizando sempre que possível, e separando os materiais recicláveis.

É a famosa regra dos 3 R`s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Embora a regra seja ouvida à muitos anos, a realidade é que ainda não foi interiorizada por grande parte dos portugueses.

As campanhas de sensibilização e os apelos sucedem-se, mas será que mais casos como o de Nápoles terão de surgir para tomarmos consciência da dimensão do problema?

Esperemos que não!

Por isso importa agir.

Reduzir por exemplo o número de embalagens que adquirimos, optando por embalagens mais pequenas e reutilizáveis, sempre ponderando bem da sua efectiva necessidade.

Aqui é também muito importante o papel das empresas e dos produtores, que deviam optar por comercializar os seus produtos em embalagens mais pequenas e menos prejudiciais ao ambiente e nunca utilizar sobreposição de embalagens, como acontece tantas vezes.

Responsabilizar as empresas pelo tipo de resíduos que irão originar é também o caminho a seguir.

Optar por ir às compras com o mesmo saco de pano ou papel e tentar a todo o custo diminuir o número de sacos plásticos utilizados, guardar papéis de embrulho e laços e utiliza-los novamente são exemplos de gesto simples mas de grande importância para o ambiente.

Reciclar, diminui em muito a quantidade de resíduos que seguem para os aterros e para tal basta que em nossas casas se separe o papel, do vidro e do plástico. Tão simples, mas tão importante.

Basta boa vontade e dispensar um bocadinho do nosso tempo.

Por fim, importa sensibilizar familiares, amigos e colegas para a necessidade de diminuir a produção de resíduos para bem de todos e para sustentabilidade das gerações futuras.

Atitudes e acções quotidianas podem ter reflexos positivos em termos económicos e contribuir para um ambiente mais saudável e para uma sociedade mais sustentável. 
 
 
 
 Teresa Fernandes