Em finais de Julho estalou uma crise no mercado de créditos imobiliários de risco e, essa pequena crise, pelos seus efeitos psicológicos, arrastou consigo uma crise que se estendeu às Bolsas de Valores.

  Sendo um mercado de risco, o sub-prime, não seria de prever que os seus efeitos fossem tão grandes, a ponto de continuarem as quedas dos índices bolsistas.

Já tinha ouvido falar em irracionalismo das Bolsas de Valores mobiliários que, pelos ditos efeitos psicológicos, arrastam os índices para baixo, podendo mesmo afectar a economia.

Estas notícias para nós, portugueses, não podem deixar de ser preocupantes porque nunca chegámos, verdadeiramente, a sair da crise em que caímos no início deste milénio.

Não sou um verdadeiro conhecedor desses meandros, apesar de me confessar um curioso dos assuntos de economia e de ser, naturalmente, interessado como cidadão deste país. Das leituras que tenho feito, há analistas que alertam para os riscos de esta crise de liquidez poder afectar as empresas cotadas em bolsa e, daí, contagiar a economia, provocando uma estagnação que de modo nenhum nos interessa.

E o mais curioso é que esse mercado de créditos imobiliários de risco, ou de alto risco, representa apenas uma ínfima parte do total dos créditos imobiliários e, o contágio que está a provocar, representa apenas a faceta irracional que se apodera de muitos investidores.

Se é assim, como é que nos afecta?

Afecta-nos de muitas maneiras. Não havendo liquidez no mercado, as empresas terão que recorrer, cada vez nais aos bancos que, por sua vez, poderão ser afectados pela falta de liquidez, se a crise se prolongar,

Ora, havendo falta de dinheiro disponível, muitos investimentos sofrerão adiamentos que nos serão prejudiciais.

Estando Portugal a necessitar de investimentos, que reanimem o mercado, estes adiamentos dão sempre negativos,

Fala-se já que as exportações têm tendência a interromper o crescimento que, timidamente, vinha a acontecer; fala-se que a economia europeia, para onde mais exportamos, está a mostrar tendências de desaceleração, acusando os efeitos da estagnação do mercado dos Estados Unidos da América, que se admite poder ocorrer ainda este ano.

Esperemos que o diabo seja surdo e que alguns destes analistas económicos não tenham razão. A economia portuguesa tem vindo a apresentar indicadores favoráveis, ainda que lentos, e uma interrupção nesta evolução não é o que precisamos neste momento.

Depois de tanto tempo a apertar o cinto, é tempo de devolver a esperança aos portugueses, sobretudo agora que o estafado défice começa a ser controlado, graças ao tremendo esforço do governo e dos portugueses que sofreram para que o défice baixasse.

Há alguns sectores da nossa economia que já não tem capacidade para aguentar mais impactos negativos e também há muitos cidadãos que já não têm por onde encurtar o seu orçamento familiar

Esperemos, pois, que a estabilidade regresse rapidamente aos mercados financeiros e de capitais para que a economia nacional possa manter-se no rumo da recuperação.

Esperemos também que o nosso governo continue a controlar o défice e a tomar medidas que reanimem a economia.

Afonso Paixão