Isabel Silva, de 29 anos, foi distinguida com o prémio da “Melhor Comunicação-Painel em Investigação Clínica” apresentada na Reunião Mundial da International Society for Autonomic Neuroscience (ISAN) realizada entre os dias 26 e 29 de setembro, em Itália.
“É o reconhecimento de um trabalho de anos e a valorização daquilo que nós fazemos em Portugal, apesar da falta de financiamento e de condições que às vezes temos”. Foi com estas palavras que a jovem, natural de Covelas, descreveu o prémio que lhe foi atribuído pela Sociedade Internacional do Sistema Nervoso Autónomo. O seu estudo, apresentado à organização mundial, tem como fundamento “tratar a hiperactividade da bexiga e homens que a desenvolveram (hiperactividade na bexiga) após ter hiperplasia benigna da próstata”, explicou a estudante do doutoramento do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS).

O trabalho apresentado por Isabel Silva foi “realizado no âmbito da colaboração entre o Laboratório de Farmacologia e Neurobiologia do ICBAS, o Centro para a Descoberta de Fármacos e Medicamentos Inovadores (MedInUP) do ICBAS e o Serviço de Urologia do Centro Hospitalar do Porto (CHP)” e os resultados finais são fruto de mais de “2 anos de trabalho”. A investigadora apontou, em conversa com o NT, que foram muitas as horas e noites de trabalho pelo facto de ser necessário “tecido humano” para a obtenção de resultados. “Nós não decidimos quando queremos ter tecido humano, temos quando aparecem os doentes e aproveitando todas as alturas que o temos independentemente de ser noite, férias e fins de semana, nós aproveitamos e os resultados permitiram que chegássemos a conclusões que poderão ser muito boas para a sociedade em geral” enalteceu Isabel.

O objetivo de Isabel Silva passa por continuar com o projeto e terminar o doutoramento no âmbito do mesmo de forma a desenvolver “uma terapêutica para a bexiga hiperactiva causada pela hiperplasia benigna da próstata nos homens e que provavelmente também poderá ser aplicada a outros doentes como as mulheres com hiperatividade na bexiga”. “Até termos o medicamento cá fora ainda temos muitos anos de trabalho”, apontou a covelense, acrescentado que é necessário que “a indústria farmacêutica” e as políticas nacionais “olhem para proposta com olhos de ver”.

Isabel Silva é investigadora no laboratório de Farmacologia e Neurobiologia do ICBAS-UP, desde 2010, professora convidada no curso de Mestrado em Medicinal Legal do ICBAS-UP e “no âmbito deste trabalho, em 2014, ganhou o prémio de melhor comunicação em painel atribuído pela Federação Europeia das Sociedades de Farmacologia, EPHAR (The Federation of European Pharmacological Societies) no Congresso Mundial de Farmacologia realizado na África do Sul.