A manifestação do Movimento Contra o Aterro na Trofa no centro da Trofa no último sábado de Maio foi um dos maiores exemplos de cidadania e democracia popular demonstrada pelos Trofenses desde a luta pelo concelho. Uma manifestação caracterizada pela sua excelente organização e unidade, a manifestação contou com perto de duas centenas de populares em plena pandemia, respeitando, no entanto, todas as orientações da Direcção Geral de Saúde.

Sabem agora, aqueles que querem trazer o Aterro para a Trofa, que podem contar com um povo que está atento, e que se organiza para defender os seus direitos e a sua terra, pois sabemos, se um aterro é anunciado de uma dia para a outro para Covelas, sem o próprio presidente da Junta saber, nenhum Trofense, dos Bougados aos Coronados pode agora dormir descansado, quando na política Trofense o corno é sempre o último saber. É uma visão de democracia e de política que este executivo municipal nos habituou, de tiques autocráticos, de quem pensa que têm o rei na barriga e governa com direito divino.

O comunicado da Câmara Municipal da Trofa acusa de interesses políticos obscuros e de acções partidárias criadas artificialmente no seio do Movimento Contra o Aterro na Trofa, isto porque estamos a pouco mais de um ano das eleições autárquicas. Não nos venham falar de interesses partidários obscuros quando os nossos interesses são bem claros, estando ao lado das populações, na defesa da nossa terra e ao seu lado na organização desde a primeira hora. Será algo a que eles não estarão habituados a fazer.

Foi feito um apelo para que todos os partidos e representantes, de todos os quadrantes da sociedade civil, lutassem em unidade, nesta que não é só uma luta de Covelas, mas sim de toda a Trofa, onde até o Padre se fez representar. Deputados da Assembleia da República, de todas as principais forças políticas falaram à população, mas não houve ali comício nenhum. No entanto, os únicos que apareceram identificados foram a JSD- Juventude Social Democrata, com uma faixa própria, entrando em contradição com o que eles próprios afirmam, tentando capitalizar e salvar a reputação no meio da manifestação

Com isto tentam-nos dividir para reinar, estimulando divisões ao acusar de políticas e politiquices, mas foi a força de todo um povo, organizado e unido que os isolou e derrotou a todos quantos queriam trazer pela calada um aterro para o nosso concelho. Quem afirmou que não valia a pena lutar, que as manifestações não servem para nada, desconhecem a história do próprio concelho, que foi forjado com a luta de milhares de Trofenses, indo até às escadarias da Assembleia da República para o conquistar.

As contrapartidas para a freguesia de Covelas pela vinda do aterro sanitário que o comunicado enumera como a melhoria nas infraestrutura de abastecimento de água ou requalificação de vias, entre outras, são muito necessárias, mas não podem ser feitas a troco de um aterro sanitário, o progresso não se vende e o bem estar da população de Covelas não está á venda por dois milhões ou por nenhum valor. Não há Trofenses de primeira e Trofenses de segunda.

Agora a estratégia do executivo municipal passa por limpar as mãos do sucedido e fazer como o avestruz, enfiar a cabeça na areia e fingir que não é nada com eles. Pariram um filho, o aterro, que agora não o querem assumir, acusam os vereadores do PS de estarem presentes na concepção do filho e atiram agora a responsabilidade ao padrinho, o Ministro do Ambiente. Afinal, quem é o pai da criança?

Hugo Devezas
Membro da Comissão Concelhia do PCP da Trofa