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Edição 719

Correio do Leitor: Mas quem será o pai da criança?

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A manifestação do Movimento Contra o Aterro na Trofa no centro da Trofa no último sábado de Maio foi um dos maiores exemplos de cidadania e democracia popular demonstrada pelos Trofenses desde a luta pelo concelho. Uma manifestação caracterizada pela sua excelente organização e unidade, a manifestação contou com perto de duas centenas de populares em plena pandemia, respeitando, no entanto, todas as orientações da Direcção Geral de Saúde.

Sabem agora, aqueles que querem trazer o Aterro para a Trofa, que podem contar com um povo que está atento, e que se organiza para defender os seus direitos e a sua terra, pois sabemos, se um aterro é anunciado de uma dia para a outro para Covelas, sem o próprio presidente da Junta saber, nenhum Trofense, dos Bougados aos Coronados pode agora dormir descansado, quando na política Trofense o corno é sempre o último saber. É uma visão de democracia e de política que este executivo municipal nos habituou, de tiques autocráticos, de quem pensa que têm o rei na barriga e governa com direito divino.

O comunicado da Câmara Municipal da Trofa acusa de interesses políticos obscuros e de acções partidárias criadas artificialmente no seio do Movimento Contra o Aterro na Trofa, isto porque estamos a pouco mais de um ano das eleições autárquicas. Não nos venham falar de interesses partidários obscuros quando os nossos interesses são bem claros, estando ao lado das populações, na defesa da nossa terra e ao seu lado na organização desde a primeira hora. Será algo a que eles não estarão habituados a fazer.

Foi feito um apelo para que todos os partidos e representantes, de todos os quadrantes da sociedade civil, lutassem em unidade, nesta que não é só uma luta de Covelas, mas sim de toda a Trofa, onde até o Padre se fez representar. Deputados da Assembleia da República, de todas as principais forças políticas falaram à população, mas não houve ali comício nenhum. No entanto, os únicos que apareceram identificados foram a JSD- Juventude Social Democrata, com uma faixa própria, entrando em contradição com o que eles próprios afirmam, tentando capitalizar e salvar a reputação no meio da manifestação

Com isto tentam-nos dividir para reinar, estimulando divisões ao acusar de políticas e politiquices, mas foi a força de todo um povo, organizado e unido que os isolou e derrotou a todos quantos queriam trazer pela calada um aterro para o nosso concelho. Quem afirmou que não valia a pena lutar, que as manifestações não servem para nada, desconhecem a história do próprio concelho, que foi forjado com a luta de milhares de Trofenses, indo até às escadarias da Assembleia da República para o conquistar.

As contrapartidas para a freguesia de Covelas pela vinda do aterro sanitário que o comunicado enumera como a melhoria nas infraestrutura de abastecimento de água ou requalificação de vias, entre outras, são muito necessárias, mas não podem ser feitas a troco de um aterro sanitário, o progresso não se vende e o bem estar da população de Covelas não está á venda por dois milhões ou por nenhum valor. Não há Trofenses de primeira e Trofenses de segunda.

Agora a estratégia do executivo municipal passa por limpar as mãos do sucedido e fazer como o avestruz, enfiar a cabeça na areia e fingir que não é nada com eles. Pariram um filho, o aterro, que agora não o querem assumir, acusam os vereadores do PS de estarem presentes na concepção do filho e atiram agora a responsabilidade ao padrinho, o Ministro do Ambiente. Afinal, quem é o pai da criança?

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Hugo Devezas
Membro da Comissão Concelhia do PCP da Trofa

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Edição 719

Massificação

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Tinha o sonho de ser um comando, daqueles que destroem exércitos inteiros…até ir para aquela escola! Nessa escola fiz dois amigos para a vida, o António, que queria ser palhaço, e o Joaquim, que queria ser girafa no Jardim Zoológico (apesar da baixa estatura, ele tinha muito jeito para imitar as girafas).
No primeiro momento dentro da sala de aulas, a professora, de farda cinzenta, sem maquilhagem e traços rudes, que quase se confundia com um homem, disse-nos:

– Se tendes sonhos, é melhor secá-los. Ides ser todos iguais.
Durante os anos foi-nos ensinada a imoralidade da individualidade, de ter sonhos e de alcançá-los. Impuseram-nos uma felicidade baseada no medo do sucesso (fosse material ou não).

Apesar do meu sonho de menino, aquelas primeiras palavras de há sessenta anos atrás foram um consolo! Como fiquei com medo de ser bem-sucedido, deram-me a mim e aos outros, naquela escola, o conforto da mediocridade.

Nunca ninguém se destacou, nem o que estudava e tirava boas notas, nem os calaceiros (aquilo em que me tornei), com as suas notas suf -.

Não havia mais bonitos e mais arranjados, o penteadinho tinha o mesmo sem brilho que aqueles que não tomavam banho.

Disse à minha mãe que não precisava de comprar mais perfume, nem pentes para me aprumar logo pela manhã! Por isso e com o passar do tempo, de mais bonito, passei a ser mais um, que namorou com mais uma…e deixámos de ter nome e uma imagem, mas deram-nos uma farda e ficámos todos iguais. Com dificuldade distinguia a rapariga de quem gostava, quando estava junta com as amigas! Ainda hoje tenho dúvidas se a miúda a quem pedi em casamento e hoje é mãe dos meus cinco filhos é a rapariga de quem gostava! Mas também não faz mal, eram todas muito parecidas e interessantes da mesma maneira. As conversas que tinha com uma ou com outra ou até com outro eram todas iguais. Pensávamos o mesmo sobre os mesmos assuntos, tanto naquilo com que concordávamos, como naquilo que nos indignava ou aquilo a que simplesmente encolhíamos os ombros, tudo aprendido do mesmo manual e ensinado pela mesma professora! Não sei o que é discordar dos meus camaradas, denominação ensinada na escola, e nunca discuti com a minha mulher…apesar das dúvidas que ainda tenho sobre ela ser a certa!

Para matar saudades e tentar confirmar quem é aquela que tenho em casa, por vezes olho para uma fotografia de grupo tirada naquele tempo, salvo erro no quarto ano, todos simples, como se quer, apesar de um simplório destoar, o mesmo corte de cabelo, a mesma expressão zangada (aprendida nesse ano) e cinzenta (aprendemos a não sorrir no terceiro ano). Não distingo ninguém, aliás minto, vejo um de nós a esticar o pescoço, e aposto que é o Joaquim, que no seu íntimo nunca deixou de querer ser girafa…era um rebelde. Partilhávamos o mesmo quarto e durante a noite ele ousava sonhar com cores, quando, ainda no primeiro ano, aprendemos a sonhar entre o cinzento e o preto.

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O que no início me assustou e depois me consolou, foi que o “MAIS” valia o mesmo que o “MENOS”!

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Desporto

FIFA obriga Trofense a pagar cláusula de Capita

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O Clube Desportivo Trofense está, perante a Federação Internacional de Futebol (FIFA), “solidariamente responsável” pelo pagamento da cláusula de rescisão de Capita, jogador que ingressou no clube da Trofa, oriundo Clube Desportivo 1.º de Agosto.

A notícia foi avançada pela agência noticiosa de Angola, a Angop, sustentando-se na deliberação da FIFA, após uma queixa apresentada pelo clube angolano pela alegada quebra de contrato pelo jogador. O 1.º de Agosto alegou que Capita abandonou o clube “sem autorização”, tendo sido “induzido” pelo Trofense a fazê-lo. “Após a oferta do Trofense” ao 1.º de Agosto, sobre a qual diz “não ter respondido”, o jogador “foi, no entanto, anunciado na página do Facebook do Trofense”, alegou o emblema angolano, que sublinha ainda que o clube da Trofa “não pagou nenhum dos valores” previstos no contrato e que, à época, “o jogador era menor de idade”, o que impossibilitaria a transferência.

Em resposta à reivindicação do 1.º de Agosto, o jogador e o Trofense contestaram a competência da FIFA, argumentando o caso apenas podia ser julgado por um tribunal arbitral localizado na cidade de Luanda. O argumento foi rejeitado pela FIFA, que não aceitou também a versão do jogador e do Trofense de que Capita não tinha um contrato de trabalho, mas apenas um acordo de aprendizagem, sustentando que o atleta nunca jogou uma partida oficial pelo 1.º de Agosto. O Trofense considerou igualmente que o jogador não poderia ser considerado um jogador profissional, pois o salário no clube angolano era equivalente a 46 euros por mês e essa compensação “é menor que o mínimo necessário para sobreviver e sustentar a si e à sua família em Angola”.

A FIFA justifica ainda a decisão tomada com o facto de ter havido, efetivamente, a quebra unilateral do contrato e a ausência do pagamento, por parte do Trofense, da cláusula, referindo que Capita não deveria ter abandonado o 1.º de Agosto enquanto a verba não fosse transferida.

A FIFA determinou, deste modo, que o jogador e o Trofense têm de pagar os 200 milhões de kwanzas (perto de 330 mil euros) referentes à cláusula de rescisão do atleta no prazo de 45 dias a partir da notificação pelo 1.º de Agosto dos dados bancários.

Em caso de incumprimento, Capita será impedido de jogar em partidas oficiais e o Trofense proibido de inscrever novos jogadores.

Essa medida do órgão reitor do futebol mundial terá duração máxima de três épocas completas e períodos consecutivos de inscrições.

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A deliberação da FIFA pode ser lida AQUI.

Capita Capemba foi apresentado pelo Trofense em janeiro e alinhou, oficialmente, pelo clube a 23 de fevereiro, na vitória diante do Ginásio Figueirense, por 1-0, cumprindo 56 minutos em campo. Seguiram-se participações no triunfo frente ao Lusitanos Vildemoinhos (57 minutos) e na derrota caseira com o Leça (23 minutos).

Clube continua a apresentar jogadores

Entretanto, o Clube Desportivo Trofense continua a apresentar reforços para a próxima época. O mais recente é Serginho, guarda-redes de 37 anos que na época transata era o titular do Varzim, na 2.ª Liga. O defesa Tito Júnior, de 24 anos, vestiu a camisola do Sertanense nas últimas cinco épocas, onde jogou com muita regularidade.

Já o defesa central Santos, formado no clube, renovou o vinculo por mais três temporadas.

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