Autarquia promoveu a primeira de uma série de conferências sobre educação. O primeiro tema discutido foi “Oferta Formativa e Mundo Laboral: Que desafios e Oportunidades?” “Pensar criticamente e resolver os problemas”. A deixa foi deixada por José Manuel Castro, representante do Instituto de Emprego e Formação Profissional, na primeira conferência promovida pela Câmara Municipal da Trofa, no âmbito do Projeto Educativo Municipal.

José Manuel Castro, falava a propósito do tema “Oferta Formativa e Mundo Laboral: Que desafios e Oportunidades?”, que reuniu no painel de oradores ligados ao sistema educativo e ao mercado profissional. Na conferência, que visava a discussão sobre a sintonia entre as escolas e as empresas, esta ideia foi também defendida por Henrique Soares, diretor de recursos humanos da empresa Preh, que sublinhou a importância da constante formação no mundo laboral e deu como exemplo os cerca de 70 por cento de colaboradores que trabalham na Preh desde a sua origem (1970) e que conseguiram acompanhar o desenvolvimento tecnológico: “Apesar de terem baixos níveis de escolaridade, conseguem desenvolver as competências necessárias para o êxito da empresa”.

Este ponto forte da empresa ganha elevada expressão tendo em conta que há números que fazem da Preh Portugal “a mais rentável do grupo”. “O segredo é estar alinhado com as necessidades do cliente, ser capaz de reagir e de encontrar soluções”, complementou. Henrique Soares adiantou ainda que, no que respeita à relação da empresa com as escolas, “há uma grande sintonia entre aquilo que são as necessidades das empresas e as orientações que os estabelecimentos de ensino estão a dar às cargas formativas”. “Não tenho qualquer dificuldade em encontrar, no mercado próximo, jovens com o 12º ano, quer sejam para áreas técnicas ou administrativas, para satisfazer as nossas necessidades, o que significa que as estratégias estão alinhadas”. 

“Escolas precisam de ter dados de empregabilidade do concelho”

Este “feedback” dado pelas empresas é na opinião de Denis Rio, diretor da Escola Secundária, outro dos oradores da conferência, “muito importante” para a definição do plano de formação profissional no concelho. Para além disso, destacou, “é premente que as escolas tenham acesso aos dados de empregabilidade dos jovens na Trofa”, mas “a escola não pode trabalhar sozinha, neste processo tem que haver um trabalho de colaboração com a Câmara Municipal e com Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP)”. Comungando da opinião de Henrique Soares, de que os trabalhadores devem pensar criticamente, o diretor da Escola Secundária afirmou que “é necessário não se sentir derrotado antes mesmo de tentar desenvolver determinada tarefa”. “Os jovens têm que encarar os problemas como um desafio e não como um bicho de sete cabeças”, sublinhou. O trabalho de equipa foi outro dos aspetos evidenciados pelos oradores. Também José Manuel Castro apontou para a “inexistência de indicadores precisos sobre as necessidades de mão de obra” no País. “Não queremos correr o risco de sermos criticados pelos falhanços das previsões, mas estas lógicas de previsão são sobretudo para servir leituras genéricas”, defendeu, dando como exemplo a política seguida pelos Estados Unidos da América, que, por exemplo, “apontam para 2016 existirem mais possibilidades de qualificação para quem tem maiores níveis de qualificação”. 

O representante do IEFP considerou ainda que “há uma instabilidade concetual quando abordamos as questões da formação profissional”, porque “ora vai que é formação profissional para umas coisas, ora vai que é ensino tecnológico para outras”. “Precisamos de estabilizar conceitos e de ter uma matriz concetual que dure dez ou 15 anos”. Olívia Santos Silva, coordenadora da Plataforma Interinstitucional Concelhia para a Formação e a Qualificação Profissional, complementou esta ideia, afirmando que “a matriz concetual devia ser duradoura para permitir que fosse avaliada, que se medisse os impactos e que se fizessem as respetivas correções”. “A ação deve ser inteligente e determinada”, acrescentou, para “unir o sistema educativo e o mundo do trabalho”, pois “até aqui reconhecem-se, mas não se conhecem”, frisou. “As empresas têm de conhecer a escola por dentro, conhecer a perspetiva dos alunos, funcionários, professores e famílias, e a escola tem que sair do seu pedestal e tem que conhecer a empresa”, sublinhou. 

Outro dos oradores da conferência foi António Ferreira Luís, diretor do núcleo da Trofa CENFIM, que fez uma apresentação da escola profissional e revelou que, atualmente, a procura das empresas por alunos recém-formados é mais elevada que os disponíveis, ou seja, a percentagem de colocação de jovens no mundo laboral é bastante elevada. 

Projeto Educativo Municipal “é adaptado às exigências do século XXI”

Esta foi a primeira de uma série de conferências que a autarquia vai promover no âmbito do Projeto Educativo Municipal  (PEM). Teresa Fernandes, vereadora da Educação, afirmou que estas atividades visam “debater temas tão diversos como importantes para todos os agentes educativos como a escola, a família, a saúde escolar, alimentação e o planeamento educativo”. Garantindo que o PEM “é adequado e adaptado às exigências do século XXI”, a autarca afirmou ainda que “a Câmara Municipal da Trofa olha a educação como um pilar importante e valioso na estratégia de aperfeiçoamento da democracia, na promoção da igualdade de oportunidades, no combate à exclusão social e no fomento do desenvolvimento da sociedade”. No entanto, ressalvou, “precisa do contributo de todos os agentes educativos”.

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