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“Em termos de infra-estruturas, vias de comunicação, espaço e visibilidade” o espaço entre a Capela da Nossa Senhora das Dores e a Repsol é “a melhor localização para os Paços do Concelho”. A posição é defendida por Carlos Martins, presidente da Junta de Freguesia do Muro que, em Assembleia de Freguesia na passada sexta-feira, defendeu que a sede da autarquia deveria ser construída naquele perímetro junto à Estrada Nacional 14.

Em resposta à questão levantada pelo membro eleito pelo PSD Vítor Maia, que questionou o autarca sobre a posição do executivo relativamente à localização dos Paços do Concelho, Carlos Martins foi peremptório: “Se a sede do município for lá para baixo, já perto de Santo Tirso, não nos vamos calar”. O edil murense foi mais longe e, afirmando “não querer ser fundamentalista ou extremista”, considerou que “há um excesso de bairrismo em S. Martinho de Bougado”.

A questão foi levantada no ponto referente aos assuntos de interesse para a freguesia, no qual o social-democrata Vítor Maia aproveitou para alertar o executivo para o excesso de água que se acumula junto ao cruzamento da Carriça, onde “as pessoas se molham ao sair de casa”. O membro do PSD questionou ainda o presidente da Junta sobre “os timings” da obra do metro na Trofa e “se o concurso já arrancou ou não”.

Em resposta, Carlos Martins adiantou que em “Março ou Abril a Rua Central da Carriça irá ser repavimentada, depois de instalada a rede de águas pluviais, desde os Transportes Maia até ao Parque de Avioso”, na medida em que urge a intervenção naquela rua uma vez que “muita gente se desloca àquele parque”. Sobre o concurso do metro, o autarca murense fez saber que “dentro de três meses a obra deverá ser adjudicada e entregue ao empreiteiro”.

Já relativamente à obra da variante à EN 14, cujo estudo de impacte ambiental já se encontra em discussão pública, Carlos Martins informou que o projecto pode ser consultado na Junta de Freguesia do Muro no horário de expediente. O autarca considerou importante que a população se inteire deste assunto, uma vez que a estrada alternativa vai abranger “terrenos de vários moradores na freguesia”.

Depois da apresentação da actividade da Junta, de onde se destaca o calcetamento de várias ruas da freguesia, o presidente do executivo fez saber que os resultados da análise à água, realizada em Outubro, ditou que a água do fontenário de Gueidãos é “imprópria para consumo” e, em consequência do resultado, foi exigida a “averiguação da fonte de poluição” e a instalação de um sistema de tratamento de água, cuja solução poderia passar por uma ETAR.

PSD defende polidesportivo na freguesia

No Plano Plurianual de Investimentos e Orçamento para 2010, ponto aprovado por unanimidade pela Assembleia, constam várias intervenções na freguesia que o executivo quer ver realizadas. Refira-se o calcetamento da rua que dá acesso à Capela de S. Pantaleão, a repavimentação com águas pluviais do cemitério paroquial, a construção de parques infantis e a instalação de semáforos limitadores na EN 14 junto à Igreja. Carlos Martins propõe-se ainda a instalar lombas junto ao Salão Paroquial, defendendo que “no cruzamento de Matos é urgente reduzir a velocidade dos automobilistas”. Já no lugar da Carriça, nomeadamente no início da EN 318, falta iluminação pública e, finda esta intervenção, Carlos Martins garante que “a iluminação pública no Muro está 99 por cento concluída”.

Num orçamento que, segundo Carlos Martins, apresenta um crescimento de 50 por cento relativamente ao ano passado, estão previstas as verbas da autarquia referentes ao ano de 2009 e que ainda não foram entregues. “Estamos a contar que as verbas venham este ano, mas só depois da auditoria às contas é que a Câmara vai poder desbloquear o dinheiro”, avançou o presidente da Junta, sublinhando que as mesmas, “se vierem”, serão destinadas a novas obras porque aquelas já feitas “estão pagas”.

Na discussão do PPI e Orçamento para 2010, Vítor Maia, da bancada social-democrata, alegou que no documento “deveria constar uma obra importante, que é o polidesportivo”. Lembrando que “o QREN financia em 70 por cento este tipo de obra” e que “é necessário um equipamento desportivo na freguesia”, Vítor Maia fez referência à obra da variante que “vai afectar o campo de futebol” e defendeu ainda que “é altura de investir mais no Muro”.

Esclarecendo que “o campo de futebol não é propriedade da Junta, mas da paróquia”, Carlos Martins adiantou que já reuniu com a Associação Recreativa Juventude do Muro no sentido de se pensar num novo equipamento. “Vamos ver o que se vai fazer, envolvendo as entidades todas, a Metro do Porto, a Comissão de Fábrica e a ARJ Muro, para se avaliar um complexo novo”, clarificou.

No mesmo ponto da ordem de trabalhos, o membro do PSD José Martins questionou o executivo se o jardim envolvente ao infantário é da responsabilidade da Junta e se o mesmo “vai ter outro cuidado no futuro” em termos de arranjos. Em resposta ao social-democrata, Carlos Martins esclareceu que o jardim “é da competência da Câmara Municipal”, mas adiantou que a Junta irá, juntamente com a Associação de Pais, mantê-lo “limpo e asseado”. Relativamente ao orçamento, José Martins quis ainda saber a natureza das verbas patentes nas rubricas “outras despesas correntes” e “aquisição de bens de capital”, que no total perfazem cerca de 25 mil euros, e considerou que a rubrica ‘Outros’ deveria ser “mais residual”. “O dinheiro na rubrica ‘Outros’ é referente às verbas da Câmara que podem vir ou não”, respondeu Carlos Martins.

Já no período de intervenção do público, o presidente do executivo respondeu a várias questões dos murenses, entre eles António Moreira, que contestou que “mais de metade da freguesia não tem ligação à água potável” e solicitou a Carlos Martins “que se informasse na Indaqua sobre o ponto de situação” do abastecimento de água. Reconhecendo como verdadeira a observação do murense, o presidente da Junta lembrou que “a ligação à água não é obrigatória”, adiantando que quando o depósito de Mendões entrar em funcionamento serão feitos os rasgos para os lugares de Matos, Gueidãos, Vilares, Avenida de S. Cristóvão e Carriça.

Na sessão foi ainda aprovado, por unanimidade, o Regimento da Assembleia de Freguesia.