Autarquia trofense assinou contratos-programa com duas dezenas de associações do concelho para atribuição de subsídios. Colectividades atestam que verbas não são suficientes, mas compreendem as restrições orçamentais.

A Associação Recreativa e Desportiva do Coronado (ARDC) tem cinco anos de existência. Desde então que trabalha na ocupação dos tempos livres de jovens de S. Romão do Coronado e do concelho. Nunca tinha recebido “apoio monetário” por parte da Câmara Municipal da Trofa até quinta-feira, 24 de Fevereiro. Esta e outras colectividades assinaram, pela primeira vez, contratos-programa com a autarquia.

Ao todo, foram 20 as associações culturais, recreativas e desportivas que receberam um subsídio e ganharam um novo fôlego numa altura de dificuldades. Na reunião com as colectividades, a presidente da autarquia, Joana Lima, fez questão de frisar que apesar de os valores serem baixos, este é um “esforço acima das possibilidades da Câmara”. Esta política não escapou à contenção orçamental e algumas colectividades viram o subsídio sofrer “um corte de 40 por cento”.

A autarca explicou que os subsídios são entregues às colectividades “que tenham um plano de actividades delineado”. Como a ARDC, também os Ranchos Folclóricos de Alvarelhos e de S. Romão se estrearam na assinatura dos contratos-programa. No entanto, as reacções não foram as mesmas.

Laurinda Rodrigues, presidente do grupo alvarelhense, considerou que o subsídio “é muito pouco” para aquilo que necessita. “Precisamos de transportes caros, porque ainda há pouco tempo recebemos um convite para Luxemburgo e tivemos que recusar. Embora façamos várias iniciativas para angariar fundos, o dinheiro não chega, porque temos uma sede que é uma casa alugada, pagámos aos tocadores de concertina e a um ensaiador”, explicou.

Opinião contrária tem Alina Paredes, presidente da ARDC, que salientou: “Ficamos muito orgulhosos pela Câmara ter reconhecido o trabalho desenvolvido com os jovens de S. Romão e do concelho em geral. O que a maior parte das pessoas diz, que é pouco, para nós vem de muito boa vontade”. É o que também pensa Isabel Paiva, presidente do Rancho de S. Romão do Coronado: “É sempre importante. São verbas que, mesmo sendo poucas, o Rancho vai precisar imenso”.

Depois de apelar ao apoio para o Clube Académico da Trofa (CAT), Mário Moreira viu assinado um contrato-programa que vai permitir ter uma época mais calma. O presidente do emblema que desenvolve a modalidade de voleibol considera que “o subsídio nesta crise é sempre uma grande ajuda” e “mesmo pequeno é aceite de bom grado”.

A vereadora Teresa Fernandes explicou que “este esforço da autarquia é uma forma de reconhecer o trabalho das associações”. “Reconhecemos que este valor é insuficiente para o trabalho que elas têm desenvolvido, mas penso que compreendem, até porque a realidade é que estamos a viver momentos difíceis”, acrescentou a vereadora.

No encontro com as associações, a presidente da Câmara deu conta da “possibilidade” de a Câmara Municipal recorrer ao “reequilíbrio financeiro”, o que torna estas ajudas às associações “um esforço suplementar”.

Ao recorrer a esta medida, a Câmara Municipal coloca o concelho nas mãos do Governo para aliviar a situação de endividamento. Apesar de tudo, as associações que desenvolvem actividades significativas ganharam fôlego para atravessar um ano cheio de dificuldades.

Já esta quinta-feira a autarquia assina contratos programa com mais algumas associações prevendo-se que volte a fazê-lo com outras nos próximos meses.