Apesar de a Coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) ter ganho as eleições legislativas, na Trofa, como a nível nacional, o Bloco de Esquerda foi a surpresa da noite ao conseguir duplicar o número de votos, em relação a 2011.

Numa análise aos resultados eleitorais destas legislativas, com as de 2011, é possível verificar que no concelho da Trofa, tanto a Coligação como o PS vêm a perder votos, com a CDU e o BE a registarem um aumento do número de votantes. Em 2011, PSD e CDS tiveram, juntos, 11.531 votos e este ano ficaram-se pelos 9.781, enquanto o PS este ano perdeu 534 votos, tendo recebido a confiança de 6.196 votantes. Já o BE passou de 849 votos para 2.052 e a CDU de 947 para 1.058. A abstenção do concelho também aumentou, tendo participado 21.068 votantes em 33.513 inscritos, quando em 2011 participaram 21.619 votantes dos 33.120 inscritos.

O candidato a deputado pelo Círculo eleitoral do Porto pela Coligação, Alberto Fonseca, adiantou que “desde o início tinha consciência que não estaria na primeira linha para ser eleito”. Quanto aos resultados, Alberto Fonseca mostrou-se satisfeito por a Coligação ter conseguido “um resultado melhor que a nível nacional e distrital”. “Se a nível nacional o resultado fosse o mesmo que na Trofa ter-se-ia alcançado maioria absoluta”, demonstrou.

O presidente da Comissão Política Concelhia do PS Trofa, Marco Ferreira, reconhece que “não alcançaram os seus objetivos”, o que significa que “devem intensificar o trabalho de contacto com a população e a divulgação do projeto político do PS”. “Os resultados na Trofa são profundamente influenciados pelos resultados distritais e nacionais. Contudo, destaca-se a grande perda de votos da Coligação e a enorme transferência de votos para partidos mais à esquerda, o que conduziu a uma ‘maioria de esquerda’ nas escolhas realizadas pelos trofenses”, completou.

Já para Gualter Costa, membro da Coordenadora Concelhia do BE Trofa, esta foi “uma excelente votação que reflete o trabalho que o BE tem vindo a fazer e que, tardiamente, começa agora a ser reconhecido, quer a nível nacional como local”. O facto de o BE Trofa “não ter feito uma campanha massiva e na rua” foi, para Gualter Costa, “uma estratégia”, porque “as pessoas estão fartas de ver cartazes, jornais e de passar pelos líderes políticos da sua terra, que naquele momento fazem e resolvem tudo, mas que quando saem da sua terra esquecem-se de aparecer”. “Elas sabem as dificuldades que passaram ao longo deste tempo, sabem do desemprego e das suas expectativas completamente defraudadas e sabem que os seus filhos tiveram que emigrar para o estrangeiro para ter uma vida melhor”, mencionou.

Também Paulo Queirós, elemento da CDU Trofa, congratulou-se pela “subida muito grande da esquerda –BE e CDU” – e da “perda de votos pela Coligação”, pois prova que “estas políticas que vinham sendo seguidas eram muito restritivas”. “Não foram os resultados que pensamos que deveriam ter sido obtidos, porque queríamos que o castigo à Coligação fosse mais expressivo”, referiu.

Paulo Queirós não entende ainda o porquê de os murenses votarem “nas forças que obstaculizam sempre a vinda do metro”, tendo até “algumas dúvidas” sobre a vontade destes em querer o metro, porque “continuam a votar naqueles (Passos Coelho) que dizem claramente que não estava em cima da mesa a vinda do metro até ao Muro”.