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Considerado por quem as pratica como factor de confraternização, as batidas à raposa são defendidas para reporem o equilíbrio entre as espécies cinegéticas na Zona de Caça Municipal da Trofa. Clube de Caçadores da Trofa organizou segunda batida, que juntou cerca de 50 caçadores.

Munido de caçadeira, José Silva lança o olhar atento sobre os montes da zona da Sardoeira, em Santiago de Bougado. Passa horas a avistar os horizontes, à espera que um animal surja na mira da sua arma. Caçador há 30 anos, José Silva só abateu uma raposa na vida e, apesar de reconhecer que a caça é um desporto que requer doses acrescidas de paciência, garante que não abdica do prazer que lhe dá. “É o único desporto que pratico, gosto muito disto e nem que não mate nada gosto de ir à bouça. Não matando, gosto de ouvir os cães a latir atrás dos coelhos e das raposas”, confessa ao NT, enquanto não desvia a atenção do monte.

José Silva foi um dos cerca de 50 caçadores que, no passado domingo, participaram na segunda batida à raposa, organizada pelo Clube de Caçadores da Trofa. Proporcionar um dia de convívio e distracção a quem participa continua a ser o objectivo principal da actividade e José Silva, presidente do clube trofense, faz questão de frisar que abater um determinado número de animais é apenas um complemento. “O objectivo é que as pessoas se distraiam num dia de caça, como noutro qualquer, mas com mais regras impostas pela legislação e pelo clube”, adiantou ao NT, fazendo um “balanço positivo” da batida do passado domingo. No total, foram “batidas” quatro raposas, um número pouco significativo para José Silva, que lembrou a necessidade da caça como factor de “equilíbrio de espécies”. “O ajuste das espécies dentro da nossa Zona de Caça Municipal passa por realizar uma batida ou duas à raposa. Há proprietários que se queixam que animais assaltaram os seus galinheiros e, por isso, há que fazer o equilíbrio de espécies, porque se as raposas existirem em abundância, as outras espécies podem não sobreviver”, referiu, explicando que “ao matar uma raposa estamos a poupar, possivelmente, 20 coelhos”.

Sobre a crítica lançada pela ADAPTA às batidas à raposa publicada na edição da passada semana do NT, José Silva esclareceu que o clube “respeita a opinião” da associação, mas acusou o comunicado de conter “algumas incorrecções”. “Quando dizem que estamos a fazer uma caça desordenada sem critérios, isso não é verdade. Se há caçadas organizadas são as batidas, porque sabemos quem está e onde está, o que se mata e o que não se mata”, asseverou José Silva. De acordo com o presidente do Clube de Caçadores da Trofa, o comunicado da ADAPTA “dá a entender à opinião pública que é uma barbaridade o que o clube está a fazer”, mas José Silva reitera que “a prioridade é conviver”.