A Assembleia de Santiago de Bougado aprovou, por maioria, o Orçamento e o Plano Plurianual de Investimentos (PPI) para 2011, com a abstenção do Partido Socialista.


O próximo ano vai ser dedicado “ao apoio às famílias com pobreza explícita e escondida e ao associativismo”. Esta é a promessa deixada por António Azevedo, presidente da Junta de Freguesia, que vai utilizar uma “poupança corrente” de “50 mil euros” para “desenvolver um projecto conjunto com a Conferência S. Vicente de Paulo e outra associação de cariz social de Santiago de Bougado”.

À questão levantada por Fernando Sá, elemento do PS, sobre se foi elaborado um relatório social sobre as necessidades das famílias, o autarca explicou que a situação financeira dos bougadenses vai ser estudada antes da atribuição dos bens materiais.

Ao apresentar o Orçamento e PPI para o próximo ano, que foi aprovado por maioria, com a abstenção do PS, António Azevedo pediu também à Assembleia a possibilidade de o executivo contrair um empréstimo por “eventuais” dificuldades de tesouraria, apesar de “nunca ter sido necessário”.

Filipe Couto Reis, elemento do PSD, referiu que “é de louvar” a decisão do executivo de estabelecer como linha orientadora o apoio às famílias, acrescentando que a medida “merece todo o apreço”.

À questão de Filipe Portela sobre a razão da diminuição das receitas correntes, o presidente da Junta explicou que “tanto o Estado como a Câmara vão atribuir menos verbas à Junta”.

Já as receitas de capital vão ser aplicadas “na compra do terreno e construção do Centro Cívico e Casa Mortuária”, a grande bandeira de António Azevedo para este mandato. Para o autarca, Santiago de Bougado “tem a pior Casa Mortuária do concelho” e “há dois anos espera pela decisão da Câmara Municipal” de requerer ou não a utilidade pública do terreno onde o executivo quer construi-la, juntamente com o Centro Cívico. Azevedo adiantou que teve recentemente “a terceira audiência” com a autarquia, “na qual se apresentou uma contraproposta ao proprietário do terreno, em que ele cedia 1570 metros quadrados e vendia outros mil metros quadrados”. “Estamos a aguardar a decisão”, frisou.

O bougadense Joaquim Torres, na intervenção do público, apelou para que a Junta “resolva este problema” e “cumpra a promessa que é muito importante”. “Espero que no próximo Natal não estejamos a falar na quarta audiência com a Câmara Municipal”, asseverou.

Este é um dos projectos que Azevedo quer ver resolvido, assim como a construção da EB 1,2 e 3 de Santiago de Bougado. O autarca salientou que este equipamento consta da Carta Educativa aprovada em Assembleia Municipal, pelo que “na próxima reunião” vai reivindicar a sua construção.

Filipe Portela, do PS, interveio para aconselhar António Azevedo “a ser mais realista na apresentação dos projectos” para a freguesia. “O senhor promete e até agora pouco se tem visto. Opta por adoptar uma política de promessa fácil, onde grande parte das obras não são da sua responsabilidade, conseguindo por isso justificação para o seu não cumprimento”, frisou.

Em jeito de resposta, o presidente da Junta apresentou a lista dos 12 compromissos apresentados pela sua candidatura na última campanha eleitoral e afirmou que alguns “já estão resolvidos”. Para o autarca, o Centro de Saúde é um dos exemplos, devido à compra do terreno. Mesmo sem constar no PIDDAC para 2011, António Azevedo acredita que o projecto vai avançar, devido “ao forcing da autarquia junto do Governo”.

Já quanto ao parque da cidade, o edil bougadense afirmou que vai “exigir” que Santiago tenha mais terrenos de construção, já que “Bairros tem que deixar de ser um campo de batatas”.

O presidente da Junta acrescentou ainda que Santiago de Bougado “é uma referência” no apoio ao associativismo, frisando a atribuição do último montante do protocolo celebrado com as colectividades em Julho deste ano – 20 mil euros distribuídos por 15 associações. A Junta entregou também um “subsídio extraordinário” ao Atlético Clube Bougadense, “no valor de 7500 euros” para ajudar a pagar a dívida do clube e impedir que o relvado sintético fosse levantado.

A proposta do Mapa de Pessoal para 2011 foi aprovada, por maioria, com duas abstenções do PS.

 

Não esteve sozinho na defesa dos Paços do Concelho”

António Azevedo enunciou ainda a “luta” contra a localização escolhida pela Câmara Municipal para os Paços do Concelho. Recorde-se que o autarca propôs em Assembleia Municipal a realização de um referendo, que acabou reprovada. Depois de o edil afirmar que o executivo lutou “sozinho” para que o edifício da Câmara não se instalasse na zona da antiga estação, António Quelhas, do PS, interveio para frisar que as considerações “são falsas”. “Eu também não concordei com a localização escolhida e só votei contra o referendo, porque põe em causa quem foi eleito para governar e decidir”, atestou.

Manuel Campos falou no período de intervenção do público para lamentar a suspensão da extensão da Linha Verde do metro até à Trofa. “Não quero acreditar que não foi feita a obra por influência da actual presidente da Câmara, na altura deputada do PS, pela autarquia estar a ser gerida pelo PSD. Hoje, já lá vai um ano, a Câmara é gerida pelo PS e o Metro nada. Afinal, a Trofa não ganhou nada com um Governo e uma Câmara PS”, frisou. O bougadense espera que a edil trofense, Joana Lima, “não seja solidária com o Governo” e lute pela vinda do meio de transporte.