Já é a terceira vez este Inverno que alguns moradores da Rua Dr. Avelino Padrão, em Santiago de Bougado, têm de recorrer às galochas para entrar em casa. Nos dias em que chove intensamente, as águas residuais das condutas de saneamento são expulsas para a via pública, através de uma tampa de saneamento naquela rua, inundando a cozinha e terraço de uma das habitações.

Segundo Maria Palmira Moreira, este é um verdadeiro tormento “que não se pode aguentar” e, cansada de ver “ninguém resolver nada”, a moradora queixa-se dos prejuízos suportados. Para além do odor incomodativo que emana, a água já chegou a ultrapassar a porta da cozinha e a ameaçar o quarto, do outro lado da casa. “Mobília e paredes estragadas”, a somar à “muita humidade” é o rasto que este problema deixa, à espera de resolução por parte de quem vive na habitação. “Gostávamos que nos dissessem o que é que podem fazer em relação a esta situação”, apela Maria Palmira Moreira.

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Contactada pelo NT/TrofaTv, a Trofáguas, empresa municipal responsável pelo saneamento básico, esclareceu que o problema está inerente à “força da Natureza”. “Dada a intensidade das chuvas que têm acontecido neste Inverno, o caudal do rio aumenta substancialmente, inunda a conduta de águas residuais, a força da água faz saltar a tampa de saneamento, faz retorno e as águas transbordam as tampas e invadem as casas”, explicou Luís Rebelo, presidente do Conselho de Administração da Trofáguas. O responsável relacionou o problema também com a construção das habitações naquela rua, considerando que as mesmas “não deveriam ter sido autorizadas a serem construídas lá”.

“Preocupado com o bem-estar das populações”, Luís Rebelo adiantou que já está a ser estudada uma solução técnica para minimizar o problema, o mais depressa possível, mas adiantou não ser uma tarefa fácil. “Não estamos a ver uma forma rápida de resolver este assunto, porque é a lei da Natureza a repor a verdade”, acrescentou.

O presidente da Trofáguas adiantou ainda que na Rua Dr. Avelino Padrão serão construídos os ramais de saneamento de águas residuais, sendo esta uma intervenção que, alegadamente, não é vista com bons olhos pelos moradores. “Os utentes queriam que isso fosse feito numa rua paralela, nas traseiras das casas, só que essa rua a partir de determinado momento não tem inclinação suficiente para, por gravidade, o saneamento ser conduzido e sendo assim é tecnicamente impossível fazer-se a obra aí, terá que ser feita na Rua Dr. Avelino Padrão”, esclareceu.

Segundo Luís Rebelo, com esta obra naquela rua, os moradores “terão que bombear as águas residuais”, mas, apesar de os habitantes não concordarem, o presidente da Trofáguas esclareceu que “tecnicamente não há outra solução possível”.