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Acusados da morte de três espectadores (2 da Trofa) de rali rejeitam culpas

Acusados da morte de três espectadores (2 da Trofa) de rali rejeitam culpas

Os diretores do Motor Clube de Guimarães recusaram hoje qualquer responsabilidade na morte de três espectadores (2 deles da Trofa) de um rali naquele concelho, em 2014, alegando que a segurança do público era uma competência das autoridades policiais.

Da mesma forma, um mecânico também arguido no processo disse que não tem “culpa nenhuma” no despiste do carro que colheu mortalmente os espetadores, por não ter participado nas “alterações” efetuadas na viatura.

“O rali estava aprovado e licenciado por todas as entidades, tendo ficado claro que a segurança dos espetadores ficava a cargo das autoridades policiais”, disse o presidente do Motor Clube de Guimarães (MCG), no início do julgamento, no tribunal daquela comarca.

Segundo Eduardo Crespo, que era também o diretor da prova, aquelas autoridades é que decidiram o número de agentes necessários e os locais em que cada um seria colocado.

Disse ainda que as vítimas terão passado por uma zona onde estaria um agente da GNR para aceder ao local onde foram colhidos mortalmente.

A versão foi corroborada pelo então vice-presidente do MCG, João Júlio, que assegurou que os diretores do clube “não tinham qualquer poder decisório” sobre a segurança do público, porque as autoridades policiais “nunca lhes deram qualquer possibilidade”.

“Disseram que ou faziam a prova como eles queriam ou não se fazia prova nenhuma”, referiu.

O acidente registou-se em 07 de setembro de 2014, no Rali Sprint de Guimarães, quando um carro se despistou e matou Maria Cândida Fernandes e Adriano Maia, esposa e filho do piloto trofense Joaquim Maia, moradores em Cedões, Santiago de Bougado, e ainda um adolescente de 13.

O Ministério Público (MP) diz que o rali foi levado a cabo “em flagrante violação das normas que regem a segurança” deste tipo de corridas.

Diz ainda que o acidente foi induzido pelas alterações efetuadas ao carro que se despistou, nomeadamente o alargamento da carroçaria.

Segundo o MP, foram montados espaçadores nas jantes traseiras, as rodas ficaram mais longe da suspensão, a pressão quadriplicou, quatro parafusos rebentaram e o despiste aconteceu.

Por isso, o MP constituiu arguido um mecânico tido pela acusação como “pessoalmente responsável pela manutenção” da viatura.

O mecânico refutou aquela responsabilidade, afirmou que não teve qualquer intervenção nas alterações do carro e assegurou que se limitou a fazer uma espécie de revisão, antes da prova, por ser amigo do piloto dono da viatura.

No total, o processo conta com seis arguidos, todos acusados de três crimes de homicídio por negligência.

O rali foi organizado pelo Motor Clube de Guimarães e pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting.

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