Caminhos de Santiago (pela Via Romana) com passagem pela Trofa

Porque não voltar a reconstituir essa mesma via?

Pela Via Romana (XVI), em direção a Braga ou Espanha, pela ponte da Lagoncinha – e antes desta, pelo centro da Trofa -, ao longo dos tempos, viajaram e/ou “peregrinaram” várias centenas ou talvez milhares de altas individualidades do Império Romano, altos dignitários da Igreja Católica (Cardeais, Bispos) e da Coroa (Reis, Rainhas, Príncipes, Princesas).

a)- Segundo vários cronistas, a Rainha Santa Isabel recebeu como dotes (de casamento com D. Diniz) algumas vilas importantes de Portugal, ao tempo, a saber: Abrantes, Óbidos, Alenquer, Ponte de Mós; vários castelos: Vila Viçosa, Monforte, Sintra, Ourém, Feira, Gaia, Lamoso e outros reguengos de Gondomar, Rebordões (S.Tiago), Cedões (antigamente Codões – Santiago de Bougado). Após a morte de seu marido, em julho de 1325, a rainha encetou a primeira de duas peregrinações a Santiago de Compostela, tendo iniciado a sua viagem em Coimbra, passou pelo Porto, a seguir pelos “três terrenos em Cedões” (Santiago de Bougado) – que haviam sido seus, mas que o Rei lhos havia retirado. Segundo nos descreve Napoleão de Sousa Marques no seu livro “Cidade da Trofa – Duas Comunidades… Um só Povo”, “O caminho velho português, aquele que, atravessado o rio Douro, metia direito a Braga pelo trilho da mais que milenária via romana. Com as aias e homens de armas da comitiva, todos ainda a guiar-se, … por um ou outro miliário que os prevenia dos passos, contados por milheiros, … a Rainha Santa Isabel, ao descer da encosta da Serra de Bougado para as ínsuas que bordejavam o estreito ribeiro de Covelas, naquela altura do ano minguado… lá atravessou Cedões, na Terra da Maia, aquele povoado que fora seu por curto espaço de tempo e do qual, como é admissível, nem sequer lhe restaria memória…”. Daqui, desta povoação “de Vila de Zadones” (mais tarde Cedões) lá seguiria a caminho do centro da Trofa, Barcelos, etc, utilizando a antiga Via XVI em direção a Santiago de Compostela, a fim de cumprir suas promessas. A monarca seguiu esta rota, pois (a mesma) era uma das principais “Vias Romanas”, (na antiguidade), que fazia a ligação entre Lisboa, Santarém, Porto e Braga e esta cidade a Santiago de Compostela.

b) Em duas ocasiões, o Rei D. João I visitou o Mosteiro de Santo Tirso, a primeira no longínquo dia 14 de outubro de 1385, logo a seguir à Batalha de Aljubarrota. Depois, passados alguns anos, voltou a este Mosteiro, tendo permanecido neste Convento beneditino de 6 a 8 de agosto de 1409, precisamente há 610 anos.

c) Outro facto histórico a registar: Rodrigo da Cunha Salgado foi sagrado bispo em Portalegre e fora designado para pastorear a Arquidiocese de Braga. No dia 8 de novembro de 1615 entrou solenemente no “Arcebispado de Braga” pela Ponte da Lagoncinha, tendo a aguardá-lo altas individualidades civis, religiosas e muito povo. Os lavradores receberam-no em Lousado com um “grandiosos arco triunfal, alto e bem feito, tecido de ramos verdes de carvalho e castanheiro”…

PROPOSTA:
Se outrora o traçado da Via Romana XVI “trazia” à Trofa várias centenas ou talvez milhares de pessoas (incluindo altos dignitários religiosos e da Coroa) nas suas viagens em direção à cidade de Braga e Santiago de Compostela, para quando propor candidatura deste histórico troço da Via Romana a Património de Interesse Cultural-Turístico-Religioso Mundial? Porque não aproveitar fundos europeus para reconstituir ou requalificar esta antiga Via Romana para caminho alternativo a Santiago de Compostela? Têm a palavra as altas individualidades locais e/ou nacionais.

Nota final:
A Câmara Municipal de Vila Nova Famalicão procedeu, em 2018, Ano Europeu do Património, a uma requalificação do tabuleiro da Ponte da Lagoncinha e nestes últimos dias colocou uma placa, junto a esta ponte, assinalando o Caminho de Santiago. Quererá dizer que pretende recriar (recuperar), a partir desta ponte, a antiga Via Romana (o Caminho) em direção à Catedral do Apóstolo Tiago Maior, aproveitando as infraestruturas históricas existentes no seu concelho?