Crónica: João Mendes

No capítulo anterior deste conjunto de textos, que hoje chega ao seu oitavo capítulo, escrevi sobre o ajuste directo celebrado entre a CM da Trofa e a empresa Flexisílaba Publicações, Lda., uma empresa gerida por duas pessoas que, meses antes, tinham integrado a equipa de assessoria de comunicação da coligação PSD/CDS-PP para as Autárquicas de 2013, bem como o staff do Correio da Trofa, jornal criado pelas tropas eleitorais de Sérgio Humberto. Uma empresa criada precisamente para comprar o Correio da Trofa, sem que nada de relevante na estrutura e na linha editorial do jornal mudasse.
Porém, este não foi o único contrato por ajuste directo que assinado entre o executivo Sérgio Humberto e antigos funcionários do Correio da Trofa, eram eles ainda colaboradores do quinzenário caído em desgraça, mas que ainda respira, ligado às máquinas, no Facebook. Falo-vos do caso de Ana Soares, designer do Correio da Trofa desde a sua criação e escolha arbitrária do executivo camarário para tratar do design do Cinetrofa, um festival de cinema flop que serviu apenas para encher os bolsos de uns quantos amigos de pessoas no poder.
Entretanto, no planeta encantado das coincidências por ajuste directo, surgiu no radar do executivo a empresa ANP SOARES, SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA, propriedade da mesma Ana Soares que trabalhou no Correio da Trofa e no Cinetrofa, e que, do nada, sem concurso publico como é apanágio da era Sérgio Humberto, conseguiu dois contratos com a autarquia, por ajuste directo, no espaço de 22 dias. O primeiro, com data de 20 de Novembro de 2014 e um valor de 26.304,00€ + IVA (32.353,92€), diz respeito à “Aquisição de serviços para a divulgação e publicidade de promoção de ações no âmbito da operação 4 – apoio e ação social, promoção de saúde e desporto”. O segundo, de 12 de Dezembro do mesmo ano, no valor de 27.400,00€ + IVA (33.702,00€), refere-se à “Aquisição de serviços de publicidade e divulgação do parque das azenhas (desdobrável informativo, livro fauna e flora, exposição permanente – água e biodiversidade, filmes – adultos e crianças, conceção e produção de outdoors)”.
Em suma, o executivo camarário escolheu, sem concursos públicos ou margem para que outros designers trofenses ou empresas locais pudessem lutar por este serviço, uma pessoa que trabalhou na sua campanha eleitoral para lhe entregar, de mão beijada, dois serviços que totalizam 66.055,92€. Sim, é promiscuo. E só não vê quem não quer. Lembrem-se disto da próxima vez que ouvirem o autarca Sérgio Humberto em comícios a dizer que consigo as oportunidades serão para todos. Não são. Os seus amigos e colegas de partido continuam a ter mais oportunidades que os restantes.
A factura dos ajustes directos para os amigalhaços do Correio da Trofa, considerando o ajuste directo à Flexisílaba e os dois ajustes directos com a empresa da designer do Correio da Trofa ascende assim a 90 mil euros. São 90 mil euros que saem dos cofres públicos, do dinheiro dos nossos impostos, para serem entregues, sem respeito por questões concorrenciais, a pessoas que ajudaram o executivo Sérgio Humberto a chegar ao poder. Porém, a factura total associada ao jornal do regime é bem maior, porque inclui anos de publicidade e outros serviços indirectamente a ele ligados, aos quais iremos no futuro. Não admira os fretes que o jornal fazia, quando ainda respirava em algumas bancas locais. Não admira que tenha sido usado por dirigentes do PSD para guerras pessoais, mentiras e enxovalhamento de pessoas incómodas, como aconteceu com um escrito cobarde e desonesto que a dirigente do PSD Maria Emília Cardoso me dedicou na edição do Correio da Trofa que antecedeu as Autárquicas de 2017. Lá chegaremos.