quant
Fique ligado

Edição 423

A dicotomia direita/esquerda atravessou a história dos tempos

Publicado

em

Desde a Revolução Francesa que os termos “direita” e “esquerda”, vulgarmente utilizados na linguagem política para designar ideologias antagónicas são geralmente entendidas como polaridades do mesmo espectro político. Esta bipolarização de posições, simbolicamente marcantes, surgiu há mais de dois séculos, quando os Estados Gerais franceses se transformam em Assembleia Nacional Constituinte, no ano de 1789, os deputados favoráveis ao veto legislativo do rei sentam-se no lado direito da sala e aqueles que são contrários a essa prerrogativa agrupam-se do lado esquerdo.

Nesse tempo já longínquo, a direita personificava o partido das instituições tradicionais, tanto seculares como religiosas e pendia para a monarquia e a esquerda era identificada com a oposição a uma monarquia poderosa, rejeitava com desdém a religião e inclinava-se para a república. Tradicionalmente, a direita tem representado a tradição, o lado da ordem, da estabilidade, a posição moral, legal, legitima e tende para o status quo enquanto a esquerda está associada ao radical, ao perigoso, ao novo e tende para a mudança.

A existência de uma direita e uma esquerda está difundida em todas as sociedades e em todo o lado é possível situar as diferentes forças políticas usando a dicotomia e as poucas variações que ela permite – o centro, o centro-direita, o centro-esquerda, os extremismos da esquerda e da direita. Esta dicotomia é inseparável do pluralismo político e faz consolidar o sistema democrático.

A dicotomia direita/esquerda, que subsiste e atravessou a história dos tempos, continua a ter validade na atualidade, em termos conceptuais e não só, apesar de existir um enfraquecimento civilizado destas posições, que não originou o desaparecimento das tendências ideológicas tradicionais. Porém, discute-se cada vez menos as ideologias e mais a estratégia do “assalto” ao poder, sendo necessário recordar que os partidos políticos existem para a conquista do poder. Depois de conquistado o poder a estratégia principal é focalizada na sua manutenção. A todo o custo! É esta a razão principal da existência dos partidos políticos. Para colocar na prática as suas ideias.

Quando os partidos políticos chegam ao poder e são confrontados com os problemas reais, a “ideologia” que domina é geralmente a tecnocrática, contrariando a retórica panfletária que utilizaram em campanha eleitoral, quando “venderam” a ideia que existem diferenças substantivas no modo de gerir os dossiers e conduzir as coisas públicas. Uma inverdade, que os leva ao poder. Tem sido assim a difusão das mensagens panfletárias, que os partidos políticos utilizam em campanha eleitoral.

A diferença entre esquerda e direita tem sido mais no estilo e na eficácia do que ideológica, pese embora o facto de à direita tem faltado uma sensibilidade social e à esquerda uma sensibilidade empresarial. Por isso, quando uns e outros interiorizarem na sua prática, que o foco principal da política é o ser humano e o seu bem-estar e que o desenvolvimento das sociedades se faz através da criação de riqueza, a dicotomia direita/esquerda não fará sentido. Será?

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

Publicidade

www.moreiradasilva.pt

Continuar a ler...
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

Edição 423

O Sofisma da Austeridade.

Publicado

em

Por

Gualter-Costa

O mega plano de austeridade que o Orçamento de Estado de 2013 a todos nos impôs, com aumentos brutais e desmesurados de impostos, cortes cegos em serviços públicos essenciais, ataque ao trabalho e aos salários, despedimentos massivos e o recente cisma de assalto às pensões, como os Portugueses já perceberam, tudo isso foi em vão. Tudo isto foi inútil. As políticas das duas caras e da tesoura afiada, serviram apenas para empobrecer ainda mais Portugal e agudizar o descalabro do Governo.

O doloroso caminho da austeridade, recentemente endurecido, parece pois não ter fim. É um falacioso e inútil calvário ideológico da direita neoliberal, cujo único objetivo é a transferência em massa de recursos da economia real, que gera valor e cria emprego, para a alta finança especulativa e para algumas multinacionais estrangeiras. Por este caminho não há redenção possível. Nunca haverá cortes suficientes, refundações, nem ajustamentos que sejam satisfatórios. A troika nunca se cansa e quer sempre mais. Sempre que a realidade teima em demonstrar-nos que este caminho está errado, que é um beco sem qualquer saída, a resposta em uníssono do Governo e da troika é de que ainda não se forçou o suficiente. Apesar de mais de 1.000.000 de desempregados reais, de uma economia em farrapos e de uma vaga de cérebros a fugir de uma catástrofe eminente, para o trio de agiotas ainda há por onde espremer. Ainda há um suculento Estado Social para destruir. Ainda há umas míseras pensões para esmifrar.

É hoje claro para todos que o memorando de entendimento com a troika está a destruir o país. No final de 2012 Portugal empobreceu quase 5% face ao final de 2010. O desemprego cresceu mais de 4 pontos percentuais, a dívida pública ultrapassou os 120%, o défice continua descontrolado. A austeridade cega que nos foi imposta subtilmente sob a forma de um memorando que se propunha a corrigir o défice e atacar a dívida, fez exatamente o contrário. E qual é a conclusão da troika e do Governo? Continuamos ainda a viver acima das nossas possibilidades. É preciso cortar ainda mais. É preciso empobrecer para sermos competitivos. Os três partidos do arco da miséria erraram a fórmula e serão mais uma vez os Portugueses a corrigir o erro. Nesta competição de pobreza, depois de atacar as bases da economia real e abalar a democracia, a troika quer ainda mais. Muito mais. É chegada a hora de por em prática a sua ideologia e demolir as bases do Estado Social. Caiu de vez a máscara a este governo e à troika : a receita não é económica, é simplesmente ideológica.

O objetivo está agora bem claro: levar a cabo uma agenda conservadora que irá delapidar o Estado Social. O ataque é ao serviço nacional de saúde, abrindo alas para os privados e acabando de vez com a universalidade dos cuidados de saúde; O ataque é à escola pública, criando cada vez mais custos para os pais terem os seus filhos a estudar e colocando por outro lado um punhado de privados a viver à custa do Estado; O ataque é para destruir a segurança social, fazendo alarido sobre a sua insustentabilidade e empurrando as pessoas para as difusas práticas comerciais de bancos e seguradoras. O objetivo é acima de tudo, vingar a Liberdade e a Igualdade e os Direitos conquistados pelo povo com o 25 de Abril. Uma estratégia macabra e doentia, arquitetada durante anos a fio pelos partidos da direita, com a conivência do centrão. Esta austeridade visa fazer falir o regime em que a Democracia se estabeleceu, acabando com os princípios da igualdade e da solidariedade, substituindo-os pela caridadezinha de circunstância.

Nem o descuidado Passos Coelho, nem o agora mudo Paulo Portas, nem o ex-iluminado Vitor Gaspar, explicam ao país como vão pedir ainda mais sacrifícios. Ignoram as explicações sobre como vão impor ainda mais miséria a Portugal. A troika também não explica como é que o memorando não foi solução para nenhum dos problemas que se propunha resolver.

Caiu a máscara. A agenda ideológica que estava escondida está agora clara para todos. A destruição do Estado Social e dos direitos dos cidadãos ocupam toda a primeira página dessa agenda. Porque, menos Estado é mais negócio para as multinacionais estrangeiras; Menos direitos, é mais exploração e mais pressão para os trabalhadores cá e noutros países. Mas, acima de tudo, mais dívida, é a garantia de chorudos lucros para os velhos e hábeis agiotas do sistema financeiro mundial.

A aplicação do memorando deixou o país empobrecido e destroçado. Vencê-lo é a única garantia de um futuro melhor e mais próspero para o nosso país. Se a música é má, a solução não é aumentar o volume, é sim desligar o rádio.

 

Publicidade

Gualter Costa

Coordenador Concelhio Bloco de Esquerda Trofa

gualter.costa@outlook.com

Continuar a ler...

Edição 423

Concerto de Mi Ku Bô encerra Encontro Lusófono (C/video)

Publicado

em

Por

Foi com o concerto de Mi Ku Bô, que, na noite de sábado, dia 11 de maio, se encerrou mais um Encontro Lusófono. Durante a semana, “milhares de pessoas” passaram pela Casa da Cultura.

Tal como no resto do País, também a Casa da Cultura da Trofa parou na noite de sábado, para assistir ao clássico que opunha o Futebol Clube do Porto e o Sport Lisboa e Benfica, que terminou com a vitória dos azuis e brancos, para a alegria da maioria dos presentes.

A festa continuou no palco do Encontro Lusófono de Literatura Infantojuvenil, que encerrou com o concerto de mistura de sons e culturas do grupo Mi ku Bô. Durante cerca de uma hora, o grupo explorou sonoridades afro-brasileiras, contagiando os presentes com a alegria da sua atuação.

Foi assim, que terminou a 9ª edição do Encontro Lusófono e a 13ª Feira do Livro, que, ao longo de uma semana, apostou na literatura infantojuvenil, com o intuito de incutir o gosto pelos livros e pela leitura por parte dos mais novos, reunindo escritores e ilustradores dos países lusófonos, tal como Adelaide Moreira, Agostinho Fernandes, Ana Paula Figueiredo, Carla Sousa Marques, Carlos Cebolo, Carlos J. Campos, Cláudia Semedo, Isabel Santos Moura, Pedro Emanuel Figueiredo e Sofia Pereira. O programa contou ainda, com vários workshops e espetáculos noturnos organizados pelos Agrupamentos de Escolas de Coronado/Covelas e da Trofa.

Para Assis Serra Neves, vereador do pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Trofa, foi “bonito” ver na Casa da Cultura a participação da comunidade escolar, pois é a “pensar nela” que a autarquia continua a apostar neste encontro.

O vereador da Cultura fez um balanço “positivo” desta iniciativa, que é “muito importante” para o concelho. “Foi um sucesso”, acrescentou, agradecendo o “grande empenho e profissionalismo” de todos os colaboradores, que fizeram com que este encontro fosse “um sucesso”.

Publicidade

 

Júlio Magalhães apresentou o seu último livro na Trofa

O nascimento de um grande amor que terá de provar ser mais forte do que o ódio surge numa violenta paisagem desenhada pela guerra civil. Esta é a narrativa do livro “Não nos Roubarão a Esperança”, do jornalista e escritor Júlio Magalhães, que esteve na Trofa, na noite de quarta-feira, 8 de maio, para apresentar o mais recente livro.

Num encontro intimista com o público, o diretor do Porto Canal falou sobre a sua inspiração como escritor, deu a conhecer a sua mais recente obra e, no final, houve ainda tempo para a tradicional sessão de autógrafos.

Júlio Magalhães é autor de vários bestsellers, designadamente “Os Retornados – Um amor nunca se esquece”, já com 15 edições, e “Um Amor em tempos de guerra”, que vai na 10ª edição, duas obras com mais de 75 mil exemplares vendidos.

 

Publicidade
Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também

} a || (a = document.getElementsByTagName("head")[0] || document.getElementsByTagName("body")[0]); a.parentNode.insertBefore(c, a); })(document, window);