Crónicas e opinião
Trofa: um espelho de Portugal?
Em 2025, Portugal tinha 10.749.635 residentes (Pordata), é o 2.º mais envelhecido da União Europeia: 192,4 idosos por cada 100 jovens (INE). A natalidade é das mais baixas da Europa, com 7,9 nascimentos por mil habitantes, enquanto a esperança de vida sobe para 81,3 anos. Pressiona-se a Saúde, Pensões e Serviços Sociais, coloca-se desafios sérios ao Futuro do país. A Trofa não foge a esta realidade. Entre 2021 e 2024, o Concelho cresceu 3,3%, mas graças ao saldo migratório positivo (+1.411). Hoje, por cada 100 jovens, temos 160 idosos. A população ativa estabiliza, mas não cresce!
O Inverno demográfico coloca-nos grandes desafios! É precisamente por isso que a inauguração da Villa Cordis, da Santa Casa da Misericórdia da Trofa, assume um significado que vai além do edifício. Mostra como a Trofa pode responder ao envelhecimento com dignidade, inovação e humanidade, revelando uma abordagem moderna, centrada na Pessoa e na Comunidade. Esta obra prova que é possível criar respostas que respeitam a autonomia, integram cuidados e promovem Qualidade de vida. É exemplo do que a Trofa pode fazer quando existe ambição, capacidade de execução e compromisso com o Futuro – sinal de que a Trofa pode tornar‑se um laboratório de boas práticas para Portugal!
Portugal tem casos de sucesso: Cascais criou redes de cuidadores; Matosinhos avançou com habitação acessível; Fundão tornou‑se referência em inovação social. A Trofa deve aprender com estes exemplos – em coerência face ao que Unidos pela Trofa e Trofa em Primeiro prometeram aos trofenses.
A primeira medida necessária é a criação de um Programa Municipal de Habitação Acessível, compromisso assumido por ambas as coligações. A segunda medida é a implementação de um Centro de Formação Tecnológica Avançada, presente nos dois programas eleitorais. A terceira medida é a criação de uma Rede Integrada de Cuidados e Apoio Domiciliário, alinhada com as promessas de reforço das respostas sociais. A quarta medida é um Programa de Mobilidade Inclusiva, coerente com os compromissos de melhorar a mobilidade e os transportes locais. A quinta medida é a construção de Bairros Intergeracionais, proposta que responde às promessas de coesão social, habitação e inclusão. Por fim, é urgente aprovar um Plano Municipal de Demografia e Envelhecimento, algo que as coligações evocaram sob a forma de “planeamento estratégico”. O que será feito para que ele exista, seja público e tenha impacte real? Onde está a visão integrada materializada num plano? Onde está a coragem política para romper com o “sempre foi assim”?
As forças políticas trofenses, à semelhança do Governo da República de Portugal, não foram eleitas para gerir rotinas, foram eleitas para liderar transformações. Foram eleitas para pensar fora da caixa, para inovar, para antecipar desafios e para assumir a responsabilidade de preparar o Concelho para 2030 e além! E liderar implica assumir riscos, tomar decisões difíceis e colocar o Futuro acima do conforto político do presente. E é preciso dizê‑lo com total clareza: os trofenses vão cobrar. O Futuro da Trofa não pode ser adiado. A inação tem custos – sociais, económicos e humanos. O Inverno demográfico não tem de ser sinónimo de declínio; pode ser uma oportunidade para reorganizar prioridades, modernizar serviços e reforçar a coesão comunitária.
A questão a colocar é: teremos – local e nacionalmente – políticos com determinação necessária para construir um Futuro mais justo e sustentável?!


