Crónicas e opinião
Linha do Equilíbrio: A sabedoria feminina: o tempo como aliado!
Vivemos numa época onde se valoriza a juventude feminina em detrimento do avançar da idade. Aliás, a mulher é ensinada, precocemente, que ao envelhecer vai perder “valor”, sendo esta ideia falsa e injusta, porque o tempo não é um inimigo, mas um mestre, que conduz à construção de uma mulher mais completa e sábia.
Esta sabedoria feminina não surge de repente, precisa de tempo para se construir lentamente, fase após fase, a partir do que é ou foi sentido, elaborado e integrado, onde o tempo tem como função ser um aliado dessa construção.
Na adolescência, período de grande intensidade, a mulher aprende a sentir as emoções à “flor da pele”, as inseguranças, os conflitos e uma busca de pertença. É a altura em que o cérebro emocional está mais ativo e isso não é considerada uma imperfeição, mas sim a construção de uma identidade. É nessa fase que a mulher aprende a reconhecer as emoções e começa a desenvolver a inteligência emocional, que será a base para a sabedoria futura.
Na idade adulta, que exige desempenho, a mulher aprende a sustentar escolhas, relações, trabalho, filhos, expectativas sociais. É aqui que muitas mulheres adoecem emocionalmente, tentando ser todos os papeis sociais ao mesmo tempo. Observa-se, algumas vezes, o sofrimento feminino nesta fase que costuma estar associada ao excesso de adaptação para ser valorizada. Pode, nesta fase, a mulher pensar que tem de calar, de ceder, de dar conta de tudo e, não raramente, de esquecer de si, em detrimento dos outros.
Com o passar do tempo, no entanto, algo começa a mudar. A mulher que atravessa a vida adulta começa a diferenciar o que é obrigação externa do que é a sua verdade interna. Ela aprende, muitas vezes, à custa da exaustão, que sem limites não há sabedoria e passa a aprender a escolher-se a si mesma. Geralmente na meia-idade, onde o corpo e a mente deixam de aceitar “acordos/normas antigas” ou a ideia “porque sim” e com menos tolerância para esses pensamentos, a mulher começa a refletir em quem foi, quem é e quem deseja ser.
As prioridades mudam, as relações transformam-se e o que já não faz sentido cai, passando a mulher a assumir o controle do que realmente quer. Esta fase não é de crise, mas sim de lucidez, é o tempo de integração. Aqui, o tempo já cumpriu parte do seu trabalho, e a mulher, mais sábia, passa a escolher com mais critério, com menos medo e mais responsabilidade emocional.
Quando o corpo muda, a mulher é convidada a abandonar papéis que sustentou por décadas e sem o imperativo da reprodução e a necessidade de “agradar” para ser valorizada, surge uma sensação de liberdade inédita. Logo, o período da menopausa vem revelar a mulher que ficou e não roubar a feminilidade e, apesar dos desafios hormonais, essa fase parece trazer mais clareza, assertividade e coerência interna. A mulher já sabe quem é, aprendeu a cair e a levantar-se, a perder e a triunfar.
O tempo não endurece a mulher, ele transforma-a para melhor, convidando-a a aprender a reconhecer padrões, a confiar na própria intuição e a aceitar que a vida não se controla, mas vive-se.
Parabéns para todas as Mulheres Sábias que estão a aprender a serem únicas!


