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Crónicas e opinião

Linha do Equilíbrio | Dia dos Namorados: quando o amor ao próprio é um ato de saúde mental

Assim, apaixonar-se por si mesmo é um gesto inovador. Significa reconhecer a própria história, acolher imperfeições, respeitar limites emocionais e não negociar valores fundamentais apenas para não ficar só.

Sandra Maia

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O Dia dos Namorados celebra-se em fevereiro e a ele está associado o romantismo! Sente-se o momento, desde logo, pela publicidade nas rádios, nas televisões, nas redes sociais e nas lojas físicas que se galaneiam com decorações em tons de vermelho e muitas mensagens de amor.

Muitos aderem a estes festejos com motivos para celebrações, mas outros, nem por isso, ficam desgostosos com o momento, com o sentimento de solidão e emerge a inevitável comparação com os outros e, nalguns casos, até mesmo a tristeza e o sentimento de inferioridade!

Quando o quadro vivido por uma falta de relacionamento amoroso é o anteriormente referido, deve-se abrir um momento de reflexão profundo: não será mais urgente cultivar, em primeiro lugar, o amor por si mesmo?

Vivemos numa época em que se romantiza o outro como solução para a vida, ou seja, o companheiro aparece como quem completa, valida, salva. Esta narrativa, embora poética, é psicologicamente perigosa. Quando se coloca no outro a responsabilidade pelo nosso valor, criamos relações frágeis, marcadas por dependência emocional, medo de abandono e constante autovigilância. Amar alguém não deveria significar deixar de cuidar de si, mimar-se e amar-se. Gostar de nós mesmo é, desde logo, autocuidado e cultiva uma certa dose de amor-próprio, sempre importante para o nosso equilíbrio.

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Na psicologia, o amor-próprio saudável está diretamente relacionado a melhor autoestima e à capacidade de estabelecer limites, o que permite entrar em relações por escolha e não por carência. Pessoas que se conhecem como “suficientes” não procuram no relacionamento a própria identidade, mas o encontro entre duas histórias que se complementam, ambas com um valor individual que procura convergir para uma melhoria dentro e com o relacionamento.

Atualmente, outra das dificuldades, para muitos, na vivência deste Dia dos Namorados passa-se nas redes sociais com a visualização das “versões editadas” das vidas de muitos casais, que transparecem vidas perfeitas, com jantares fabulosos, viagens de sonho e juras de amor eterno.

A visualização deste cenário potencia, inevitavelmente, a comparação o que poderá levar a um aumento da ansiedade, da insatisfação e da sensação de fracasso pessoal. Comparar-se é um comportamento humano, mas quando se torna recorrente e crónico, contribui para uma autoflagelação, o que resulta num sofrimento provocado.

Assim, apaixonar-se por si mesmo é um gesto inovador. Significa reconhecer a própria história, acolher imperfeições, respeitar limites emocionais e não negociar valores fundamentais apenas para não ficar só. Significa também aprender a desfrutar da própria companhia, algo cada vez mais raro numa sociedade que associa o silêncio interno ao vazio.

Apaixonar-se por si mesmo é aprender a dizer “não” quando necessário, a não se comparar com histórias que não se conhece por completo e a lembrar-se que o próprio valor não depende do status de um relacionamento.

O autoconhecimento é um fator de proteção num relacionamento amoroso. Quem sabe quem é, tende a escolher melhor com quem se relaciona, além de perceber mais rapidamente quando está a ser desrespeitado. Quando não se compara, constrói-se vínculos mais autênticos, livres da necessidade de validação externa o que, por norma, conduz a laços mais fortes e saudáveis.

Celebrar o amor romântico do Dia dos Namorados obviamente é importante, mas devemos todos, sem exceção, aderirmos a ele numa busca previa e permanente por autocuidado que conduzirá a melhores relacionamentos, com equilíbrio emocional e, por consequência, a uma melhor saúde mental.

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