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Chuva trava multidões, mas não a tradição no S. Gonçalo de Covelas

Mesmo com menos romeiros do que noutros anos, a festa de S. Gonçalo voltou a cumprir-se em Covelas, mantendo viva uma tradição que resiste ao tempo… e ao mau tempo.

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Com menos gente, mas com a mesma alma, Covelas voltou a cumprir a tradição. Porque no S. Gonçalo, faça chuva ou faça sol, há promessas para pagar, amigos para reencontrar e sabores que continuam a chamar quem já veio… e quem há-de voltar.

Mesmo com menos romeiros do que noutros anos, a festa de S. Gonçalo voltou a cumprir-se em Covelas, mantendo viva uma tradição que resiste ao tempo… e ao mau tempo. A ameaça constante de chuva afastou as multidões, mas não quebrou o espírito de quem faz questão de marcar presença numa romaria onde a fé, o convívio e a gastronomia continuam a ser os grandes chamarizes.

Pelo monte, a pé, de bicicleta, a cavalo ou em veículos motorizados, o caminho até Covelas faz parte da própria essência da festa. No Meco da Guerra, em Bougado, ponto habitual de paragem e reencontro, o ambiente esteve mais calmo do que o habitual. “Já conhecemos o S. Gonçalo há muitos anos, costumamos vir de bicicleta. Hoje o tempo não ajudou muito, mas viemos na mesma”, contou José Barbosa, natural de Rebordosa, sublinhando que o convívio, “os rojões e a canequinha de vinho” continuam a justificar a viagem.

A perceção de menor afluência foi partilhada por vários romeiros. “Notei que no Meco da Guerra está mais fraco, tem menos gente que o ano passado”, referiu Nuno Silva, da Trofa, que mantém o ritual bem definido: “A caminhada, o espírito de camaradagem, vir pelo monte, beber um copo de vinho, comer uma sande de rojão e voltar outra vez”.

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Apesar disso, há quem não abdique da romaria, independentemente das condições meteorológicas. “Isto é uma coisa inexplicável, só quem vem cá é que sabe”, afirmou Fátima Rodrigues, também da Trofa, destacando os sabores que fazem parte da tradição: “O rojão, o copo de vinho, o caldo de nabos… é melhor não dizer mais”, referiu, entre risos.

Para muitos, S. Gonçalo é já uma referência incontornável. “O S. Gonçalo é mais conhecido que o pão branco, toda a gente conhece”, disse Águeda Faia, vinda de Ribeirão, explicando que a visita alia diversão e devoção, com “promessas pagas” ao santo.

A importância crescente da romaria foi igualmente sublinhada pelo pároco de Covelas, padre José Ramos, que lidera a paróquia há 25 anos. “É a primeira romaria do ano e há uma devoção muito enraizada a S. Gonçalo”, afirmou, lembrando que a festa vai além da vertente religiosa. “Tem uma vertente lúdico-desportiva, cultural e gastronómica. Eu costumo dizer que ir ao S. Gonçalo e não comer as papas e o rojão é como ir a Roma e não ver o Papa”.

O pároco destacou ainda o crescimento do número de ciclistas e motards ao longo da última década e meia, fenómeno que este ano foi travado pela chuva.

O domingo manteve-se como o ponto alto da festa, numa romaria simples, sem um programa de grande dimensão, mas que continua a atrair gente de fora da freguesia. Para Manuel Rocha, da comissão de festas, o balanço é positivo, apesar das condicionantes. “Claro que não era aquilo que nós esperávamos, queríamos ver a festa com o tempo em condições, mas está tudo a correr bem”, afirmou, acrescentando que, apesar de algumas desistências iniciais, “entre sábado e domingo, os comerciantes apareceram”.

A chuva deu tréguas suficientes para que a procissão saísse à rua, momento central da componente religiosa. Durante a solenidade, o padre José Ramos apresentou sinais visíveis de debilidade física, tendo sido posteriormente transportado a uma unidade hospitalar para observação médica.

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