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Crónicas e opinião

Continuidade ou oportunidade de mudança na Trofa?

Este é um orçamento de continuidade com: (i) compromissos herdados; (ii) poucas medidas novas; (iii) ausência de reformas estruturantes; (iv) manutenção da política fiscal; (v) investimentos sobretudo já contratualizados. É um orçamento de transição, não de transformação!

Luis Filipe Moreira

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A solução governativa trofense só fará sentido se abrir caminho à transformação!
A aprovação do Orçamento Municipal 2026 evidenciou o momento particular que a Trofa atravessa. A coligação Unidos pela Trofa manteve a linha de governação que tem marcado a última década, assente na prudência e na continuidade. Já a coligação Trofa em Primeiro, recém-chegada ao executivo, confrontou-se com um documento sem a ambição de renovação apresentada aos trofenses.

Orçamento 2026: sem novas reduções fiscais, apesar de terem sido prometidas pelas forças políticas que o aprovaram! Sem novos grandes projetos estruturantes introduzidos! A mobilidade mantém-se reativa, não estratégica! As freguesias continuam dependentes de transferências anuais. Sem expansão da rede de creches! Sem novos equipamentos culturais ou desportivos de proximidade! Este é um orçamento de continuidade com: (i) compromissos herdados; (ii) poucas medidas novas; (iii) ausência de reformas estruturantes; (iv) manutenção da política fiscal; (v) investimentos sobretudo já contratualizados. É um orçamento de transição, não de transformação!

A crítica é legítima: ao viabilizar um orçamento que não integra as suas principais propostas, a Trofa em Primeiro arrisca-se a ser percecionada como parte da mesma lógica que prometeu transformar. A ausência de medidas estruturantes fragiliza a imagem de alternativa.

Mas a análise responsável exige compreender o contexto! A Trofa em Primeiro entrou no executivo no final de 2025, com compromissos assumidos e margem de intervenção reduzida.

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Não houve tempo para reorientar prioridades ou renegociar contratos. O orçamento de 2026 é, por isso, um documento de transição — mais marcado pelo passado do que pelo futuro. E importa reconhecer um facto essencial: transformar exige conhecer a máquina por dentro. Só quem compreende processos e limitações pode reorientar políticas com eficácia.

Permita-me, caro leitor, uma nota pessoal: sou trofense e quero o melhor para a minha terra. Escrevo com distanciamento, mas com o compromisso de quem vive o concelho e acompanha os seus desafios. Reconheço que os nossos representantes enfrentam hoje uma tarefa exigente como nunca foi. E é por isso que importa perguntar, com serenidade e rigor: o que falta para colocar a Trofa em primeiro lugar?

Um plano plurianual de expansão da rede de creches, com balcão único de inscrição e parcerias com IPSS; um Plano Municipal de Mobilidade Suave, com ciclovias interligadas, passadeiras elevadas e requalificação anual de vias; contratos-programa plurianuais para as freguesias; um calendário transparente de redução faseada do IRS e do IMI. Um novo Gabinete de Apoio ao Investidor Local, reforço do Orçamento Participativo, um plano de requalificação escolar.

Propostas que exigem visão, negociação e capacidade de execução. Exigem que a Trofa em Primeiro assuma plenamente o papel transformador que reivindicou!

2026 deve ser entendido como um ano de preparação: conhecer a máquina municipal, ouvir as freguesias, envolver a sociedade civil e construir bases sólidas para uma governação mais ambiciosa. A estabilidade governativa não pode significar estagnação ou abdicação política.

A verdadeira prova chegará em 2027, quando a maioria apresentar o primeiro orçamento desenhado por si. Será aí possível avaliar, com justiça, a capacidade de transformar.
Até lá, mantenhamos o olhar atento e exigente!

Caro leitor, um excelente 2026!

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