Era uma vez um patinho que vivia preso numa capoeira com galinhas e galos. O dono, todos os dias, deixava-lhe comida, e água assim como aos outros animais.
O patinho vivia infeliz, por ter de viver confinado àqueles míseros metros quadrados, enquanto outros animais tinham todo um mundo lá fora que podiam explorar e descobrir.
Insatisfeito com a prisão a que era subjugado, o pato pensava todos os dias numa forma de se libertar.
As galinhas achavam que o pato era estúpido por querer sair da capoeira onde todos os dias lhes era deixada comida e água com fartura.
Um dia, o pato descobriu um buraquinho na cerca e começou a dar bicadas para tentar aumentá-lo e a partir dele conseguir fugir. As galinhas riam-se dele pelo esforço que ele despendia todos os dias. Demorou algum tempo, mas o patinho conseguiu abrir um espaço suficiente para fugir.
Ao sair, o patinho perguntou às galinhas e aos galos se o queriam acompanhar. – Pensas que somos malucos como tu? Aqui temos comida, água e um sítio para dormir. Não nos falta nada – responderam-lhe.
Depois de várias tentativas de lhes fazer ver de que não estavam em liberdade e que estavam apenas subjugados à vontade do dono, o patinho saiu e rapidamente descobriu um mundo maravilhoso, onde podia comer o que quisesse, ver paisagens diferentes do que via atrás da cerca, banhar-se num imenso lago e dormir em locais diferentes todos os dias.
Um dia, o patinho decidiu visitar as galinhas e os galos, mas chegado à capoeira, não viu nenhum deles. Por momentos, ficou feliz porque pensou que se tinham libertado, mas depois confrontou-se com a realidade: o dono tinha acabado de os degolar para se alimentar e à família.
Esta é uma história fictícia, mas um excelente retrato do que é a liberdade e a repressão.
A liberdade é um dos direitos fundamentais da Humanidade, foi-nos privada através de diversas formas e atualmente ainda há quem pense que é dono e senhor do nosso pensamento.

Assim como o dono da capoeira, há quem pense que pode manter os outros aprisionados a uma maneira de pensar, para com isso recolher proveitos próprios e, no fim, apunhalá-los e alimentar-se deles.

Assim como o dono da capoeira, há quem pense que pode manter os outros aprisionados a uma maneira de pensar, para com isso recolher proveitos próprios e, no fim, apunhalá-los e alimentar-se deles.
O dever da comunicação social é impedir que esses “donos” tentem limitar a liberdade de uma comunidade, mostrando-lhe que há um mundo muito maior do que aquele que muitas vezes nos tentam impor. A liberdade de imprensa assinala-se a 3 de maio.
Não podíamos deixar de o celebrar, depois de tantas lutas travadas contra “donos” de um mundo que está muito aquém daquele que temos à disposição.
O caminho não é fácil, mas assim como o patinho vamos continuar a dar as “bicadas” suficientes para dar a todos os trofenses a oportunidade de terem acesso a um mundo sem cercas, sem muros, sem amarras.

Cátia Veloso – Sub-Directora de Informação do jornal o Noticias da Trofa e TrofaTv