A cumprir 20 anos de existência, a Trofa, o mais jovem concelho do país a par de Odivelas, aposta para o futuro em fixar quem ali procura trabalho, disse à agência Lusa o presidente da autarquia, Sérgio Humberto.


Na segunda-feira, 19 de novembro, o município comemora 20 anos de elevação a concelho, um percurso que segundo o autarca começou mal devido à forma como decorreu a saída de Santo Tirso e assim prosseguiu quando os sucessivos governos “falharam a promessa de fazer chegar o Metro e a variante à Estrada Nacional (EN) 14”.

Apesar disso, o presidente de câmara social-democrata considera que o resultado alcançado foi “positivo, com algumas aprendizagens que devem ser assimiladas por causa dos erros cometidos”.

Agora que a Trofa é adulta e o caminho passa agora por investir na promoção imobiliária.

“Na Trofa temos o problema de haver um conjunto de pessoas que quer comprar habitação e não a tem. Precisamos de mais construção no concelho para atrair mais pessoas para residir cá. Será uma das nossas principais bandeiras nos próximos anos: incentivar a promoção imobiliária”, vincou Sérgio Humberto.

Referindo-se ao crescimento do concelho, Sérgio Humberto sublinhou a “cobertura de saneamento na ordem dos 97%”, enfatizando “haver concelhos com 800, 900 e 1000 anos na Área Metropolitana do Porto com percentagens de cobertura de saneamento abaixo dos 50%.”

Lembrou também a “cobertura de abastecimento de água de 95%”, depois de há duas décadas essa taxa ser de “12% no saneamento e 15% na água”.

Com a habitação novamente na conversa, o autarca anuncia para breve “dois prédios de habitação” num concelho onde não “era construído um há 14 anos”, estando também “perspetivados mais loteamentos”.

O autarca recorreu também aos censos de 2011 para afirmar que a “Trofa atrai mais pessoas de fora para trabalhar do que as que saem do concelho diariamente”, numa atratividade que, disse, suplanta a dos concelhos vizinhos de “Vila Nova de Famalicão, Maia, Santo Tirso e Vila do Conde”.

Servido de piscinas e com uma “melhoria significativa do parque escolar e da rede viária”, o concelho conta hoje, segundo o autarca, com cemitérios e casas mortuárias em quase todas as freguesias, cujas juntas contam atualmente com edifícios novos ou requalificados.

“O maior dos erros que foram cometidos teve a ver com a dívida criada”, afirmou o autarca, lembrando que em 2013 a Trofa “era o segundo concelho mais endividado do país”, com uma “receita na ordem dos 20 milhões de euros (ME) e uma dívida mais compromissos na ordem dos 67ME”.

Garantindo ter sido essa “dívida, mais compromissos, reduzida em 32ME”, frisou terem “saído da rotura e do saneamento financeiro”, num percurso em que apenas entre 2009 e 2013 a câmara não foi social-democrata, tendo estado então sob gestão socialista.

Sobre o corredor de exportação da EN 14 Maia-Trofa-Vila Nova de Famalicão, que “é o segundo maior nacional, contribuindo fortemente para o PIB”, o autarca lembrou as promessas não cumpridas dos governos e que o executivo municipal transformou em processos judiciais.

“Há um faltar de honrar a palavra por parte do ministro do Ambiente, Matos Fernandes, que não nos deixou outra alternativa senão colocar em junho e julho de 2017 o Estado português e a Metro do Porto em tribunal”, revelou Sérgio Humberto.

E prosseguiu: “a Trofa não pediu o Metro, foi-nos oferecido há mais de uma década em troca da retirada da ligação de comboio entre a estação da Trindade e Guimarães. Ora, o que dizemos é que se não quiserem trazer o Metro, então reponham o comboio”.

A terminar, novamente o recurso aos números: “temos aqui um conjunto de empresas em que cada uma fatura acima dos 200ME. Não são muitos os concelhos que se conseguem orgulhar de ter um tecido empresarial tão forte”.