Os sinos das cinco igrejas e capelas de Covelas e São Martinho de Bougado, na Trofa, tocarão a rebate a 27 de junho, em protesto contra a instalação de um aterro no local, revelou o padre de Covelas.

Dinamizado pelo Movimento Contra o Aterro em Covelas, está marcado para o último sábado de junho um “mega buzinão” em protesto contra a instalação daquele equipamento na freguesia, anunciado à Lusa pelo presidente da Câmara da Trofa, Sérgio Humberto, a 19 de maio, e desmentido, em comunicado do executivo, 10 dias depois.

Indiferente ao alegado recuo de Sérgio Humberto, a população de Covelas manifestou já a sua indignação e no combate à instalação do aterro juntam-se agora as duas paróquias “mais afetadas, caso a instalação avance”, disse o pároco das igrejas de Covelas, Alvarelhos e Guidões.

Em declarações então à Lusa, o presidente da câmara anunciou a instalação do aterro em 2021 em Covelas, a troco de uma indemnização de dois milhões de euros paga pela empresa Resinorte.

“Os sinos das [cinco] igrejas de Covelas e São Martinho de Bougado, as freguesias mais afetadas pela instalação do aterro, vão aderir ao buzinão com os sinos a tocar a rebate à passagem da manifestação”, esclareceu o clérigo, falando sobre um “mega buzinão” com saída de Covelas marcada para as 15:00 e passagem por todas as freguesias do concelho.

Precisando não ter falado “com nenhum dos colegas [padres], com a exceção do de São Martinho de Bougado [Luciano Lagoa]”, José Ramos admitiu, no entanto, que mais possam vir a aderir na lógica de que o “movimento está a engrossar de dia para dia”.

Pároco de Covelas “há 19 anos”, retrata-a como “uma freguesia cada vez mais envelhecida” e que, ao longo desse tempo, “foi muito prejudicada com a lixeira em Santo Tirso, com os escorrimentos que houve” e que “continua a ser prejudicada com o cheiro nauseabundo da Savinor, ainda que já tenha sido pior”, disse.

“Além disso, é uma freguesia que ficou espartilhada com o caminho-de-ferro, mas não tem estação, e o mesmo aconteceu com a A3, mas não tem entrada para a autoestrada”, notou o padre.

No somatório disto tudo, “é deprimente o ambiente em Covelas, onde apenas há velhinhos” e, também, porque “tudo o que é lixeira vai para lá”, razão pela qual se “espantou” por o “presidente da Câmara da Trofa dizer publicamente que o aterro vai trazer benefícios para Covelas”.

“Cá estou na linha da frente da luta! E estarei até ao fim. Se o nosso protesto não servir de nada, quando eu morrer, partirei de consciência tranquila”, vincou o padre.

E prosseguiu: “a última coisa que eu quero é que os vindouros digam que o seu avô ou pai foram uns covardes porque lhes legaram um aterro”.

Afirmando à Lusa que, aos 62 anos, “à face da terra só tem medo de um dia vir a ter medo”, José Ramos sustentou que quando está em casa o seu povo “não há medo”.

“Neste momento tenho pena de uma coisa que é o de não me terem ameaçado, porque consta por aí que várias pessoas da organização das manifestações foram ameaçadas, e se me ameaçassem eu não me iria calar, como é óbvio”, garantiu o padre.