São dias de angústia, ansiedade e medo, estes que vivemos. Dias em que a humanidade mais precisa de líderes inspiradores, pese embora casos como o de Trump, que esta semana tentou desviar a investigação de uma empresa alemã para os EUA, de modo a obter uma vacina exclusiva para o país, de Bolsonaro, que tem argumentado que o pânico em torno da Covid-19 mais não é do que “histeria”, ou mesmo do discípulo português da corrente neofascista que integra os dois anteriores, André Ventura, para quem Marcelo não está de quarentena, está escondido.

Para quem perturbar (ainda mais) os hospitais portugueses, para lá poder encenar um dos seus números de propaganda, é imperativo. Para quem, convém não esquecer, o SNS era para privatizar. Ventura não olha a meios. Nunca olhou. E é bom que não nos esqueçamos, quando tudo isto passar, que, no momento mais difícil, Ventura escolheu-se a si próprio

Populistas demagogos à parte, o comportamento dos políticos europeus e nacionais tem sido exemplar. Em Portugal respira-se uma unanimidade rara, com um alinhamento de posições e intenções que vai dos libertários aos comunistas. A guerrilha política não cessou, é certo, e tivemos, nos últimos dias, péssimos exemplos disso mesmo. Não obstante, é notório que existe um raro espírito de união entre partidos e instituições. Outra coisa não seria de esperar, de quem se afirma democrata e comprometido com o superior interesse da nação.

Nestes tempos de excepção, é meu entendimento que todos, de uma maneira geral, temos respondido de forma excepcional. Não só os profissionais de saúde, incansáveis na linha da frente do combate ao vírus, mas também os bombeiros, as diferentes forças de segurança, os camionistas, aqueles que cuidam dos nossos idosos em lares ou nos seus domicílios, os funcionários das farmácias e dos supermercados, entre muitos outros, que continuam a sair de suas casas, todos os dias, para que a economia não pare.

Todavia, a opção pela excepcionalidade não compete apenas aos que estão lá fora, nas várias frentes de batalha desta guerra. Também aqueles que estão em casa podem e devem ser excepcionais. E, neste caso, ser excepcional passa por algo tão simples como ficar em casa. Parafraseando Rodrigo Guedes de Carvalho, por estes dias um dos faróis do bom senso e da moderação que deveriam imperar, “aos vossos avós foi-lhes pedido para irem à guerra. A vocês, pedem-vos que fiquem no sofá. Tenham noção”.

Desengane-se, porém, quem acha que esta foi uma mensagem dirigida exclusivamente à miudagem inconsequente que invadiu a praia de Carcavelos e o Cais do Sodré em plena pandemia. Esta mensagem é também um apelo aos avós, os tais que foram para a guerra. Porque a falta de noção não escolhe idades. Atinge, de igual maneira, crianças ingénuas e idosos experientes. E é por isso que nunca é demais recordar o essencial.

E o essencial, resumidamente, é que as instruções das autoridades são para cumprir. Que as mãos são para lavar. Muitas vezes. Que sair de casa só para o estritamente essencial. Que o café pode esperar, o jantar com amigos pode esperar, as férias podem esperar e o cabelo e as unhas também podem esperar. Ser cuidadoso e ter medo deste vírus não faz de ninguém um cobarde. Revela maturidade. Dar abraços e beijos, seja a quem for, é arriscado e irresponsável. Também pode esperar. Gozar com quem cumpre as medidas sugeridas ou impostas é estúpido e merece forte repúdio.

Divulgar notícias falsas, áudios alarmistas e conspirações sem pés nem cabeça, provenientes de fontes duvidosas, apenas contribuem para aumentar ainda mais o medo e a ansiedade e deviam ser punidos com pena de prisão. E lembrem-se que o Covid-19 não é algo que só acontece aos outros. Estamos todos sujeitos. Sejamos, por isso, excepcionais. Sejamos responsáveis e estejamos alerta. Cuidemos de nós, dos nossos e de todos os outros que possamos ajudar. Ânimo, muita força e coragem! A tempestade passará!