Em via dupla ou linha única, o metro do Porto vai mesmo chegar à Trofa. Ao DN, a secretária de Estado dos Transportes assegura que há "uma decisão política" nesse sentido, até por "uma questão de justiça social para com a população, há vários anos sem comboio". Assim, as negociações com a Junta Metropolitana do Porto (JMP) podem ficar concluídas esta semana. Um acordo que só não foi selado há duas semanas por "diferenças" de português que travaram o entendimento.

 De acordo com Ana Paula Vitorino, "já existem poucas coisas que separem as duas partes". Quanto à ligação à Trofa, a secretária de Estado lembra que foi aprovada na primeira fase, mas só em via única. Em 2003, "a Metro do Porto propôs ao Governo fazer a ligação em via dupla, mas este só aprovou a duplicação até ao ISMAI", afiança. Na negociação entre as partes, não foi possível chegar a acordo e, em 2005, foi celebrado um aditamento ao contrato de concessão para a retirada do troço da primeira fase.

Entretanto, Ana Paula Vitorino diz esperar que a empresa entregue o estudo de viabilidade sobre a ligação à Trofa em via dupla. "Não somos um País rico; portanto, é preciso analisar os custos com cuidado", refere, lembrando que, em último recurso, pode reservar-se um canal para mais tarde se proceder à duplicação da via.

Quanto ao avanço das obras, a governante afirma que foram estabelecidas duas condições: que fosse inequívoca a necessidade do traçado e que o processo estivesse avançado, com todas as fases processuais concluídas. O que apenas se verifica na extensão da Linha Amarela e para a ligação a Gondomar, no troço entre Estádio do Dragão e Venda Nova. Também aí, o Governo pretende ver o metro chegar à sede do concelho. "O que está em causa é se é a partir de Venda Nova ou passando por Valbom", afirma.

Já em relação à linha da Boavista as divergências estão ultrapassadas. "Alterou-se o texto e passou a fazer-se referência à zona oriental do Porto", explicou Ana Paula Vitorino. Em estudo está a ligação alternativa entre a Senhora da Hora (Matosinhos) e o Hospital de S. João onde "até se pode chegar à conclusão de que as linhas são complementares".

Inserção urbana

Foi a mais recente polémica na negociação entre JMP e Governo, mas Ana Paula Vitorino salienta que "estavam todos a falar do mesmo, mas com palavras diferentes". Uma confusão linguística que chegou a adiar o acordo. Agora, a secretária de Estado dos Transportes garante que "o importante é olhar para o passado, avaliar o que foi feito, o que eram obras de inserção urbanas [pagas pela Metro do Porto] e obras de requalificação urbana [da responsabilidade das autarquias] e balizar a orientação do futuro". Fica assim afastada a possibilidade de as autarquias terem de devolver dinheiro referente às obras da primeira fase.

In DN