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Empresário trofense em greve de fome

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Guilherme Costa é um empresário de S.Mamede do Coronado que está há mais de duas semanas em greve de fome, em Paris frente ao Tribunal, em protesto pela

morosidade de um processo relativo a um acidente que ocorreu com um dos seus camiões em terras francesas.

Um empresário trofense está em greve de fome há 15 dias, junto a um tribunal de Paris, com o intuito de acelerar um processo judicial que se prolonga há 3 anos e ser indemnizado pela perda de um camião.

O proprietário de uma empresa de transportes da Trofa, a Guitir, Guilherme Costa, em declarações à agencia Lusa, afirmou ter iniciado a sua contestação a 4 de Janeiro em frente ao tribunal de Grande Instancia de Paris, por discordar com a data da próxima audiência do processo, marcada para dia 14 de Março.

O empresário frisou que esta audiência foi marcada em Junho de 2005, quase um ano antes, o que atesta como o processo se tem arrastado, e pede para que a sessão seja antecipada, uma vez que tem sido prejudicado ao longo destes anos. “O tribunal passou de solução, para passar a ser um problema e em quatro anos atrofiou completamente a minha empresa”, delatou.

O acidente rodoviário ocorrido em 2002 está na origem deste protesto. Um dos seus camiões, de transporte de animais vivos, esteve envolvido no sinistro com um veículo francês, que segundo Guilherme Costa é o culpado.

O veículo do empresário permaneceu imobilizado no local do acidente durante oito meses à espera de peritagem. Durante este tempo a viatura foi vandalizada e destruída. Guilherme Costa realizou então a sua primeira greve de fome de 19 a 28 de Dezembro de 2002 em frente à companhia de seguros e conseguiu que finalmente fosse feita a peritagem. Mas o processo de indemnização não teve grandes avanços, desde então.

A perda de uma das duas únicas viaturas que possuía resultou no despedimento de dois funcionários, mantendo neste momento quatro postos de trabalho. Embora a empresa continue viável o proprietário da transportadora queixa-se, “Fui ultrapassado pela concorrência, hoje podia ter quatro camiões, não há duvida”. “Não tenho falta de dinheiro, nem é um acto de desespero. Sou coerente com os valores em que acredito e estou aqui para evitar que o processo chegue ao fim e eu já não tenha a minha firma”, alegou.

Guilherme Costa tem sido auxiliado por um amigo e já foi inclusive visitado pela polícia e bombeiros franceses, mas recusa-se a sair do banco onde se encontra deitado, de onde é raro levantar-se, segundo ele para manter as forças. “Bebo meio litro de água por dia e esta foi a quarta vez que me levantei”, revelou à Lusa.

Lamentou ainda a falta de assistência do consulado português em Paris quando pediu um saco-cama, depois do seu automóvel ter sido apreendido pela polícia, e junto com ele todos os seus haveres.

Segundo fonte do consulado-geral que desmentiu esta versão, garantiu que “uma assistente social deslocou-se ao local por duas vezes e ele disse que não precisava nada”. Acrescentou ainda, que “tem sido prestada assistência jurídica nos últimos três anos” ao empresário, e que tem um advogado francês que está em desacordo com esta acção de protesto.

O empresário ficou de ponderar a oferta pela polícia de expor a situação a um oficial, o qual tentaria depois intervir junto do tribunal com objectivo de acelerar o processo. “Mas tenho medo que seja um truque para me tirarem daqui”, referiu.

Guilherme Costa trabalha nos transportes desde os 14 anos, idade em que fugiu de casa para se dedicar à profissão de que tanto gosta e pela qual abdicou de constituir família. “Tenho casa, mas durmo no meu camião, a minha vida é o transporte”, realça.

O empresário trofense de 40 anos, fiel aos seus ideais afirma estar disposto a “ir até ao fim”.

 

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