“A Câmara Municipal desconhece a existência de qualquer projeto relativo à utilização do desativado e selado aterro sanitário localizado na antiga freguesia de Santa Cristina do Couto por parte da Resinorte para tratamento dos lixiviados produzidos pelos resíduos urbanos”.

Foi desta forma que a Câmara Municipal de Santo Tirso iniciou um comunicado, enviado ontem às redações, onde se manifesta “frontalmente contra” a reativação e prolongamento do aterro, localizado entre Santa Cristina do Couto, no concelho tirsense, e a freguesia de Covelas, no município da Trofa.

No mesmo documento, pode ler-se que a autarquia “vai solicitar esclarecimentos urgentes e cabais às entidades públicas e privadas envolvidas no eventual projeto de construção de um novo aterro na região do Vale do Ave e de reativação do aterro sanitário de Santo Tirso”.

“A Câmara Municipal está disposta a ir até às últimas consequências no sentido de se fazer cumprir o acordo de selagem do aterro sanitário de Santo Tirso estabelecido com a Resinorte e defender a população de Santo Tirso”, escreve a edilidade, comprometendo-se a “tudo fazer” para “impedir que a população de Santo Tirso seja prejudicada pela eventual intenção de reativação do aterro sanitário”.

À Lusa, o presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto, confirmou que a freguesia de Covelas vai receber a extensão do aterro sanitário que será reativado em Santo Tirso.

À agência noticiosa, o autarca sublinhou que a instalação do aterro “cumpre uma legislação muito exigente” e que “o impacto para o município e para a população é zero, não há cheiro, nem contaminação das linhas de água”.

Sérgio Humberto revelou que o projeto “já foi aprovado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), pela ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos e pelo Ministério do Ambiente”, ficando a faltar “a aprovação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte e a desafetação da REN – Rede Energética Nacional”.

Questionado sobre as preocupações da população, o autarca responde que “a maior obra” do seu executivo “foi resolver quase na plenitude o problema da Savinor”. “As pessoas que se lembrem o que era a Savinor há seis anos e o que é hoje”, acrescentando “terem rejeitado vários projetos para o Lar do Emigrante, como por exemplo, de fertilizantes, de tratamento de resíduos urbanos que não causavam cheiro, mas causavam pó”.

“As indicações técnicas que tenho é que um aterro sanitário cumpre todos os requisitos e que não provoca qualquer tipo de constrangimento”, disse Sérgio Humberto, reiterando o aterro “vai funcionar dos dois lados [Santo Tirso e Trofa], pois assim será aproveitada a estrutura do lado de Santo Tirso, designadamente do tratamento dos lixiviados”.

A Covelas, disse ainda, “os resíduos vão chegar em fardos, da unidade de processamento dos resíduos urbanos de Riba d’Ave, para serem depostos”.

Sérgio Humberto admitiu que o “arranque da operação aconteça em meados de 2021”, mas admitiu atrasos devido às licenças que falta obter.