Alegados favores em troca da promoção do filho de um árbitro e a oferta de um balcão frigorífico estão na base de mais dois processos conexos do "Apito Dourado" a julgar em Gondomar a partir de 29 de Setembro.  O julgamento do caso Trofense-Lixa, com quatro arguidos, começa a 20 de Outubro, pelas 14 horas, no mesmo tribunal e no mesmo juízo.

Um dos casos relaciona-se com o jogo Marítimo-Nacional e um outro com o encontro Trofense-Lixa, ambos da época 2003/2004.

O ex-elemento do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, António Henriques, e o ex-árbitro Martins dos Santos são os arguidos no processo relativo ao jogo do Funchal, realizado a 19 de Abril de 2004, a contar para a 31ª jornada da Superliga e que terminou com a vitória do Marítimo por 2-0.

António Henriques está acusado de consumar um crime de corrupção activa no fenómeno desportivo, sendo Martins dos Santos acusado de corrupção passiva desportiva.

Em causa estão cinco situações concretas em que a equipa de arbitragem terá manipulado as regras do jogo, falseando a verdade desportiva.

De acordo com a acusação, a que a agência Lusa teve acesso, António Henriques telefonou a Martins dos Santos, a 16 de Abril de 2004, pedindo-lhe que beneficiasse o Marítimo no jogo que três dias depois iria opor aquele clube ao Nacional da Madeira.

Como contrapartida – refere o Ministério Público (MP) – o primeiro arguido "prometeu que o filho do segundo, Daniel André Soares Santos, árbitro de terceira categoria, subiria à segunda categoria no final da época 2004/2005".

Martins dos Santos "aceitou" a proposta, assegura o MP.apito_dourado_gd1.jpg

O julgamento deste caso chegou a estar marcado para o Tribunal do Funchal, que se declarou incompetente para o efeito por causa territorial, estando agora agendado para as 09:00, de 29 de Setembro, no 1º Juízo Criminal de Gondomar.

No mesmo tribunal e no mesmo juízo começa, a 20 de Outubro, pelas 14:00, o julgamento do caso Trofense-Lixa, com quatro arguidos.

Artur Leite Mesquita, presidente do Lixa, está acusado de corrupção activa no fenómeno desportivo, e os três restantes elementos (os árbitros Pedro Sanhudo, Ricardo Pinto e João Macedo) respondem por alegados crimes de corrupção passiva desportiva.

O Trofense-Lixa, da época 2003/2004, contava para o Campeonato da II Divisão-B, Zona Norte.

De acordo com a acusação, Pedro Sanhudo pediu a Artur Mesquita um balcão frigorífico para equipar o Núcleo de Árbitros do Baixo Tâmega, com sede no Marco de Canaveses.

Ainda segundo o MP, Artur Mesquita solicitou que o Lixa fosse favorecido no jogo com o Trofense, que terminou empatado (1-1).

Os três árbitros acusados neste caso já foram arguidos no processo principal do Apito Dourado, cujo acórdão foi proferido a 18 de Julho.

Pedro Sanhudo foi então condenado na pena única de nove meses de prisão, substituída por multa.

João Macedo foi condenado, em cúmulo jurídico, na pena única de sete meses de prisão, igualmente substituída por multa, enquanto Ricardo Pinto foi absolvido.

Lusa/fim