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Edição 459

Uma “intervenção localizada”, com “impacto específico essencialmente nas necessidades evidenciadas pelo tecido empresarial da região”, com um orçamento estimado de “20 milhões de euros” e com potencial de cofinanciamento comunitário de “40 por cento”. É desta forma que o Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Elevado Valor Acrescentado (GTIEVA) se refere às acessibilidades na Estrada Nacional 14 entre Vila Nova de Famalicão e Maia. O estudo, encomendado pelo Governo, e que serviu de base à elaboração do Acordo de Parceria para a Programação de Fundos Comunitários (Portugal 2020), coloca a empreitada no 6º lugar – num total de 23 - das intervenções prioritárias no setor rodoviário, e aponta a conclusão para “após 2016”.

“A realização deste projeto apresenta um potencial moderado de captação de tráfego”, pode ler-se no estudo que destaca a obra do ponto de vista da “intermodalidade” e da “competitividade e eficiência”. Também surge na lista das prioridades para a “eliminação de estrangulamentos”.

Das vantagens da intervenção, o GTIEVA destaca “a melhoria de ligações consideradas insuficientes a plataformas logísticas, a parques industriais existentes ao longo deste eixo (Trofa e Mabor), ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, a núcleos urbanos densos e a equipamentos públicos existentes na região”.

Esta intervenção é uma alternativa ao projeto que já existe para a construção da variante à Estrada Nacional 14, entre Famalicão e Maia, com perfil de autoestrada em toda a extensão, com o investimento de 190 milhões de euros, que o GTIEVA considera tratar-se de uma solução “atualmente desadequada”.

No setor rodoviário, o estudo recomenda dar seguimento, primeiramente, ao Túnel do Marão, no IP4, ao Radial da Pontinha, no IC16, ao IP3, de Coimbra a Viseu, ao IC33 (Reabilitação de Relvas Verdes) e ao IP5, de Vilar Formoso a Fronteira.

Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, referiu, em declarações ao NT, que vê com “satisfação” a questão da variante à EN 14, que tem “cerca de 20 anos”, ser abordada, mas salvaguardou que “a perspetiva de esta ser contemplada nos fundos comunitários ainda é uma suposição”. “A variante inicialmente pensada estava orçamentada em 200 milhões de euros e neste momento tem que ser ajustada às condições do Governo para a candidatar a esses fundos. Ainda bem que o estudo vem comprovar a prioridade da obra”, acrescentou, referindo que o secretário de Estado dos Transportes, “é sensível” a este projeto.

Para o autarca, a nova acessibilidade “é fundamental para o desenvolvimento sustentável da Trofa”, que será “um dos concelhos mais beneficiados”, sem esquecer “outros envolventes para o tecido empresarial e fluxo da população”.

O presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, Paulo Cunha, defende que esta obra tem “enquadramento naquele que é o perfil da União Europeia para os investimentos ao nível da coesão territorial” e “é uma alavanca para o crescimento das empresas e desenvolvimento das regiões”, beneficiando “vários concelhos, desde a Maia, Trofa, Santo Tirso, Famalicão, Póvoa de Varzim e até Vila do Conde”.

Por seu lado, Bragança Fernandes, autarca da Maia, afirmou ao JN que “se o Governo quer pôr a economia a crescer tem de fazer esta via o mais depressa possível”.

Eletrificação do ramal da Secil no lote das obras prioritárias

No documento do GTIEVA consta ainda a modernização da Linha do Minho, cuja empreitada, com um investimento previsto de 145 milhões de euros, está incluída a eletrificação do ramal da Secil, em S. Martinho de Bougado. O presidente da Câmara da Trofa anunciou que se trata “de um estudo”, acrescentando que tem reunião marcada com a Refer para uma “discussão mais abrangente”, cujo tema passará por “negociar a cedência de parte do canal ferroviário para a Trofa por 25 ou 50 anos”, pensando-o “de uma forma integrada com o desenvolvimento da cidade”.

Esta intervenção está no top 30 das obras que o GTIEVA elencou como prioritárias, sendo uma das oito ligadas ao setor ferroviário, enquanto 18 estão ligadas ao setor marítimo-portuário, dois aos setor rodoviário e dois ao setor aeroportuário.

No total foram analisados 89 projetos, após uma prévia listagem de 238 intenções de investimento indicadas pelos membros do Governo.

Da linha do Metro até à Trofa, nem uma linha ocupa no documento apresentado pelo GTIEVA. Sérgio Humberto assegurou que se trata de um “procedimento completamente diferente”, adiantando que já reuniu com o secretário de Estado, com o primeiro-ministro e com o administrador da empresa Metro do Porto (MP). “A questão que se coloca é a vinda do Metro, numa primeira fase, até ao Muro e estamos a quantificar. A MP apresenta, todos os anos, prejuízos avultados e está a ser difícil sensibilizá-la, mas não vamos deitar a toalha ao chão”, assegurou.

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