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Edição 603

Por menos de dois quilómetros vão gastar mais de 215 milhões de euros. Não! Não é o valor de um poço de petróleo ou de uma mina de diamantes, com a profundidade de 2 quilómetros, mas apenas o custo de duas estações e o prolongamento de menos de dois quilómetros, da linha amarela do Metropolitano de Lisboa. Quando o governo tem de decidir qualquer obra para a capital, o dinheiro nunca é um problema, mesmo que o custo tenha de ser distribuído por todos os portugueses.
Tem sido uma prática recorrente dos governos centralistas, que com este tipo de atitudes estão a transformar Portugal num país macrocéfalo. Há pouco tempo foi o negócio ruinoso da Carris, em que o Governo entregou à Câmara Municipal de Lisboa a empresa, com todo o seu património, e ficando o governo (todos nós, através dos nossos impostos) de pagar a dívida acumulada de quase mil milhões de euros. Beneficiando com isso, apenas os lisboetas!
Em plena época natalícia, em que os portugueses andavam na dúvida se ia haver o «Pai Natal», o governo centralista anunciou que decidiu mandar construir uma nova ligação entre as estações do Metropolitano de Lisboa, do Rato ao Cais de Sodré, com duas novas estações (Estrela e Santos). Este anúncio não teria nada de estranho, se não fosse pela quantia avultada em causa (é mesmo muito dinheiro!), se não estivéssemos em crise (ou será que já não estamos?), se não fosse uma obra de apenas 1900 metros de prolongamento do Metropolitano, com duas novas estações, que vai custar ao erário público (a todos nós!), o valor de pelo menos 215 milhões de euros.
É mesmo muito dinheiro, por apenas dois quilómetros de prolongamento e duas novas estações de Metropolitano. Isto só mesmo para Lisboa, porque para o «resto do país», nada de semelhante se passa.
Atente-se ao que se tem verificado, no Norte, com o prolongamento da linha do Metro de Superfície, do ISMAI até à Trofa (uma distância um pouco maior que do Rato ao Cais do Sodré, mas uma obra avaliada em muito menos dinheiro), que está em estudo há quase duas décadas, embora as populações tenham ficado sem o seu meio de transporte habitual, o comboio, que tinham desde 1932 e em 2002 foi-lhes «roubado» com a promessa de em quatro anos ser construído, em seu lugar, o Metro de Superfície aproveitando o canal ferroviário existente.
Neste período de tempo, os prolongamentos das linhas do Metropolitano de Lisboa têm-se sucedido uns atrás de outros, e os trofenses esperam pela reposição dos que lhes foi «surripiado» há muitos anos, sempre com «desculpas esfarrapadas» de falta de dinheiro ou de «viabilidade económica».
É óbvio que já se entendeu muito bem, que não é nada disso que se trata, pois se o prolongamento da linha do Metro de Superfície do ISMAI à Trofa ficasse em território lisboeta, já há muito que estava construído e reposto o meio de transporte que há quase duas décadas foi «roubado» aos trofenses.
Não é falta de dinheiro, como se pode verificar por mais este investimento avultadíssimo para dois quilómetros de Metropolitano de Lisboa, nem é a «falácia» da viabilidade económica ou de estudos de procura, como agora se usa dizer-se, pois não existe nenhum estudo honesto sobre o assunto, como não existe para este prolongamento que vai ser feito, ou para os que têm sido feitos, em Lisboa. Tudo isto não passa de mais uma humilhação, mais um insulto à Trofa e aos trofenses!
O que existe (sempre existiu) é falta de vontade política, pois já há muito tempo que se percebeu que para Lisboa tudo, ou quase tudo, enquanto para o «resto do país» nada ou quase nada! Tem sido deveras humilhante, para a Trofa e para os trofenses!
E o que vão fazer os trofenses, depois de mais este insulto grave, de mais esta humilhação? Espera-se, e deseja-se, que façam muito mais do que fizeram até aqui. É a dignidade dos trofenses que está em causa. Mais uma vez!

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www.moreiradasilva.pt

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